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Advogados alertam Cavendish sobre risco de prisão

Por Sergio Torres

Rio – O empreiteiro Fernando Cavendish foi alertado por seus advogados sobre a possibilidade de vir a ter a prisão decretada pela Justiça se prosseguirem as denúncias contra a Delta em episódios de corrupção política e obras publicas suspeitas de superfaturamento.

Também profissionais da assessoria que cuida do setor de mídia da empreiteira já falaram com Cavendish sobre o risco. A análise feita é que o fato de a Delta estar na condição de ré em diversas ações espalhadas pelo País pode levar algum juiz a decidir decretar a prisão, sob a justificativa de que o empresário, na cadeia, não terá como atrapalhar as investigações.

Caso as acusações não cessem e surjam novas evidências de irregularidades, os advogados de Cavendish poderão requerer um habeas corpus preventivo à Justiça. O habeas corpus preventivo tem por objetivo proteger a pessoa contra alguma forma de constrangimento ilegal que esteja prestes a sofrer.

O escritório contratado por Cavendish é o Oliveira Lima, Hungria, Dall`Acqua & Furrier Advogados, com sede em São Paulo. Entre os clientes mais conhecidos do escritório estão o ex-deputado petista José Dirceu, no processo do mensalão; o banqueiro Daniel Dantas; o ex-banqueiro Salvatore Cacciola; e o foragido Roger Abdelmassih, médico condenado a 278 anos de prisão sob a acusação de estuprar pacientes.

Os contatos de Cavendish com o escritório têm sido mantidos por intermédio do advogado José Luis de Oliveira Lima, um dos seis sócios. Oliveira Lima orientou Cavendish a anunciar publicamente a intenção de iniciar uma auditoria interna na empresa e de colaborar com as investigações policiais, do Ministério Público e da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Congresso.

Entrevistado nesta quarta por telefone, Oliveira Lima disse que não considera a hipótese de o cliente vir a ser preso por decretação judicial.

“De maneira alguma. O senhor Fernando não é investigado”, afirmou ele, que esteve nesta quarta em Brasília, onde encontrou-se com integrantes da CPI. “Fomos à CPI nos colocar à disposição para dar quaisquer esclarecimentos”, acrescentou Oliveira Lima.

De acordo com o advogado, a decisão de Cavendish de se afastar do comando da empreiteira teve o objetivo de proporcionar autonomia absoluta aos responsáveis pela investigação interna. “A medida é para dar transparência à auditoria que está sendo feita na Delta”, afirmou Oliveira Lima.