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Acusado de abusos sexuais, nutrólogo Abib Maldaun Neto é preso em SP

O médico foi abordado pela Polícia Militar após a placa do veículo em que ele estava ser identificada por um radar na Zona Sul da cidade

Por Edoardo Ghirotto 14 dez 2020, 11h49

O nutrólogo Abib Maldaun Neto, acusado de cometer abusos sexuais contra diversas pacientes, foi preso na manhã desta segunda-feira, 14, após policiais militares abordarem o carro em que ele estava, com a sua advogada, na Zona Sul de São Paulo. O veículo foi parado por agentes após ter a placa identificada por um radar posicionado na Rua Vieira de Morais, na região do Campo Belo. A informação, divulgada inicialmente pelo portal G1, foi confirmada pela VEJA.

Maldaun Neto estava com a prisão preventiva decretada desde o início do mês. Ele foi denunciado pelo Ministério Público (MP-SP) por ter abusado 15 vezes de uma mesma mulher durante consultas na clínica particular que mantém nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. Ele também é acusado de abusar de outras oito mulheres diferentes.

Ao decretar a prisão preventiva, a juíza Ana Cláudia dos Santos Sillas, da 26ª Vara Criminal, afirmou que o nutrólogo representava risco para a produção de provas processuais e que poderia fugir para o exterior. O médico foi encaminhado para a Divisão de Capturas da Polícia Civil de São Paulo, localizada na Rua Brigadeiro Tobias, no centro da cidade. Ainda não há uma definição quanto ao lugar onde ele ficará preso.

Apesar das informações divulgadas pela polícia, a defesa de Maldaun Neto emitiu uma nota dizendo que o nutrólogo se entregou espontaneamente para as autoridades. No comunicado, o médico diz que é inocente e que não tinha a intenção de fugir de São Paulo.

Maldaun Neto já foi condenado em segunda instância a dois anos e oito meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de violação sexual mediante fraude cometido contra uma paciente em 2014. A sentença e os relatos de novas vítimas foram revelados por VEJA no dia 18 de setembro. Após a repercussão, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) cassou o registro do nutrólogo.

Ao todo, 23 mulheres procuraram o Ministério Público para denunciar Maldaun Neto, mas nem todas seguiram com o processo. Muitos dos casos também prescreveram, como um relato que remetia a um crime cometido em 1997.

Maldaun Neto é um médico conhecido entre celebridades e políticos. O trabalho do nutrólogo com a medicina ortomolecular lhe rendeu reconhecimento internacional e honrarias como a Medalha Anchieta, a maior condecoração concedida na cidade de São Paulo. No Instagram, constam participações em programas de TV e fotos com personagens conhecidos, como os apresentadores Celso Portiolli e Ratinho.

O especialista teve sua conduta questionada a partir de uma acusação feita em 2014. Segundo a denúncia, Maldaun Neto perguntou sobre a vida sexual da paciente durante a consulta, pediu a mulher que tirasse as roupas e introduziu os dedos em sua vagina. Ao final, abraçou a vítima e disse que ela que poderia conside­rá-lo como um amigo. “Quando cheguei em casa, esfregava o meu corpo com muita força no banho e repetia em voz alta que aquilo não tinha acontecido”, afirmou a acusadora, que não quis se identificar, a VEJA. Foi esse processo que levou à condenação do médico em segunda instância, por 3 votos a 0, em julho deste ano.

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