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Acuado, PT cede ao PMDB e decide votar a favor do ajuste fiscal

Mesmo insatisfeitos, deputados petistas foram pressionados a apoiar medida provisória que endurece o acesso a benefícios trabalhistas

Por Marcela Mattos 6 Maio 2015, 16h51

Pressionada pelo PMDB, a bancada do PT na Câmara dos Deputados decidiu anunciar nesta quarta-feira que fechou questão em torno da medida provisória que endurece o acesso a benefícios trabalhistas como seguro-desemprego e abono salarial e todos os seus deputados devem votam a favor das mudanças, que integram o pacote do ajuste fiscal proposto pelo governo Dilma Rousseff. A matéria é alvo de duras críticas por parte da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e encontra resistências inclusive entre os petistas.

Na terça-feira, a bancada esteve reunida ao longo de todo o dia sem chegar à unanimidade pela aprovação da matéria. Após mais de quatro horas de reunião e o apelo de uma tropa de ministros, líderes petistas anunciaram que apoiariam o ajuste fiscal – mas evitaram falar em fechamento de questão, evidenciando as defecções internas. Irritado com a fala do ex-presidente Lula em programa partidário, o PMDB emparedou o partido da presidente Dilma e afirmou que apenas daria aval à medida provisória caso o PT se unisse oficialmente em torno da proposta.

Chuva de dólares interrompe votação do ajuste na Câmara

Novamente reunida nesta quarta, a bancada do PT levou cerca de três horas para ceder ao pedido do PMDB. Durante a reunião, ficou evidenciado o desconforto causado pelo principal aliado do Planalto. “Vamos votar as MPs. Querem jogar o PT na parede. A ideia é torturar e depois matar”, disse o deputado Luiz Couto (PB). Conforme um petista, o apoio à matéria representa mais um aceno ao governo do que um apoio ao ajuste fiscal. “O governo sabe que tem erro nas relações políticas”, disse.

Líder do PT, o deputado Sibá Machado (AC) evitou responder se a legenda estaria acuada diante do PMDB e afirmou apenas vai buscar entre os demais líderes aliados a anunciar fechamento de questão em torno da matéria.

O partido não deixou claro se haverá punições caso algum deputado se recuse a votar favoravelmente à medida provisória. “Não há uma questão disciplinar. Nós vamos buscar consensos. É uma posição minimamente política e o que mais nos interessa é o voto integral dos companheiros do plenário”, disse Sibá Machado. O petista reforçou que esse é um assunto que cabe à cúpula da legenda, e não à bancada.

“Se um ou outro deputado não votar, é uma questão que o partido trata depois”, resumiu, durante a manhã, o líder do governo José Guimarães (PT-CE). “Sempre tem uma discussão. Pode ter treze chibatadas, ajoelhar no milho e castigos espirituais”, ironizou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Após o anúncio do PT, o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), subiu à tribuna para dizer a iniciativa petista deu o “conforto” que o partido solicitava. O plenário já retomou a votação nesta quarta-feira.

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