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Acidente de Agnelli reabre debate sobre fim do Campo de Marte

A desativação do aeroporto na zona norte de SP é defendida pelo prefeito Fernando Haddad

Por Da Redação 21 mar 2016, 10h45

O acidente aéreo que matou sete pessoas no sábado, incluindo Roger Agnelli, ex-presidente da mineradora Vale, deve reacender o debate sobre a desativação do aeroporto de Campo de Marte, na região da Casa Verde, constituída basicamente de imóveis residenciais.

Em outubro do ano passado, entrou em vigor uma portaria da Aeronáutica que reduz em até 100 metros a altura de novas edificações ao redor de aeroportos. O mais afetado é o entorno do Campo de Marte, na zona norte.

“Quando há um acidente, essa questão é retomada. Eu particularmente sou a favor de que o aeroporto continue funcionando, mas a sociedade vai precisar discutir. Quem é contra fala, por exemplo, das questões de segurança na região”, afirma o representante da aviação geral do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Raul Marinho Gregorin.

Ele ressalta que, caso a opção seja pela desativação, a cidade precisa encontrar alternativas. “Não se pode simplesmente desativar o Campo.” O fechamento é defendido pelo prefeito Fernando Haddad (PT) para promover um adensamento da região por meio do projeto Arco do Futuro, mas encontra forte resistência da Secretaria Nacional da Aviação Civil.

O fechamento do Campo de Marte foi cogitado pela primeira vez em agosto de 2013 na apresentação do Plano Diretor da Prefeitura. Na época, o Ministério da Aviação Civil afirmou que era necessário abrir alternativas devido ao grande fluxo de passageiros em São Paulo e citou como prováveis substitutos os aeroportos de São Roque e Parelheiros, para aviação executiva, e o aeroporto de Caieiras, para aviação comercial.

Pânico – Os moradores do bairro da Casa Verde, onde o monomotor de Roger Agnelli caiu após decolar do Campo de Marte, dizem estar em estado de choque. O pai de um aluno da Escola Projeto Vida, que fica a 500 metros da pista do aeroporto e na mesma trajetória do acidente de sábado, acredita que a proximidade entre os dois locais é um “risco” à vida dos filhos.

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“É uma escola infantil de crianças de até seis anos. Imagina se o acidente tivesse acontecido em um dia útil e tivesse aula”, afirmou o homem que também é morador da Casa Verde e piloto de avião, e pediu anonimato. No início da tarde deste domingo, 20, moradores da rua Frei Machado, onde caiu o avião de Agnelli, se mostravam impressionados pelo impacto da aeronave, o rastro de destruição e inseguros em relação ao futuro.

O aposentado Alberto Matheus, de 69 anos, se assustou ao ver o buraco deixado pela aeronave no sobrado de três andares e os seis automóveis que ficaram destruídos pelo incêndio. “Eu moro na rua de cima e se esse avião tivesse subido um pouco mais, poderia ter caído na minha casa”, contou. Ele mora há 20 anos na região e disse que procurou o bairro pela “tranquilidade” e a área verde da região.

Outra moradora antiga, a dona de casa Zuleide Amaral, de 59 anos, teme por novos acidentes. “Se aconteceu uma vez é porque podem acontecer outras. Quando me mudei para cá o movimento de aviões era bem menor do que hoje.” Ela disse se “lembrar bem” de um acidente semelhante, ocorrido em 2007, que deixou oito mortos. “Foi um pânico generalizado no bairro. Todo mundo se sentiu na rota de uma nova tragédia.”

(com Estadão Conteúdo)

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