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A van do horror: polícia procura terceiro acusado de estuprar turista no Rio

Vítimas de estupro e assalto procuram delegacias para denunciar mais crimes do trio. Americana passou seis horas sendo violentada

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro 1 abr 2013, 17h58

À medida que a Polícia Civil do Rio avança no detalhamento das ações do trio acusado de estuprar uma turista americana, na madrugada do último sábado, vêm à tona mais crimes do grupo. A preocupação dos investigadores da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) no momento é localizar o terceiro integrante do estupro. Já estão presos Wallace Aparecido Souza Silva, de 22 anos, e Jonathan Foudakis de Souza, de 20. O terceiro estuprador seria conhecido apenas como Tiago. No início da noite desta segunda-feira, os dois acusados presos foram levados ao Fórum para serem reconhecidos pelo namorado da vítima, um estudante francês, que foi agredido e roubado pela quadrilha.

Acusados de estuprar turista são presos pela polícia do Rio

De acordo com a Polícia Civil, o jovem ajuda na elaboração de uma “antecipação de prova”: caso queira deixar o país, não será preciso que ele volte para reconhecer os acusados. A Polícia Civil não informou se o rapaz também pretende sair do Brasil. A jovem americana voltou para os Estados Unidos na noite de domingo.

A americana morava em Copacabana e estava no Rio para estudar. Com o namorado, ela entrou na van em Copacabana, a caminho da Lapa. Em Botafogo, os acusados deram ordem para o desembarque dos ocupantes, mantendo apenas o casal no veículo. Segundo a polícia, os três homens revezavam-se na direção, enquanto os outros dois estupravam a jovem e agrediam o rapaz, que foi algemado e atingido com uma chave de roda. Por cerca de seis horas, os dois foram agredidos. Pela manhã, o casal foi abandonado em uma rodovia em Itaboraí, a cerca de 15 quilômetros do Centro do Rio.

As investigações indicam que os acusados agiam há cerca de um ano. Wallace e Jonathan, que foram presos horas depois de libertar o casal, foram reconhecidos por outra mulher, uma brasileira que afirma ter sido violentada pela dupla no último dia 23. Nesta segunda-feira, pelo menos quatro pessoas procuraram a polícia para comunicar que também foram assaltados na mesma van, em datas diferentes. As vítimas procuraram a 5ª DP (Gomes Freire), a 77ª DP (Icaraí, em Niterói), a 73ª DP (Neves, em São Gonçalo) e a Deat, no Leblon, Zona Sul do Rio.

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Um proprietário de uma van, que opera no percurso São Conrado-Central, afirmou à polícia ter sido vítima do mesmo grupo. O homem, que pediu para não ser identificado, contou que os três homens entraram como passageiros em sua van, na madrugada do dia 4 de fevereiro, roubaram os passageiros e os 600 reais de um dia inteiro de trabalho. Com um recorte de jornal nas mãos, o homem afirmou que Jonathan Souza, que confessou o estupro da turista, apontou uma arma para sua cabeça. “Ele é o mais perigoso. Foi ele quem apontou a arma para minha cabeça e me obrigou a entregar o dinheiro”, disse, acrescentando que também reconhecia Wallace Aparecido como autor do assalto. Um jovem, que segundo o proprietário da van deve ter 17 anos, seriam o terceiro integrante do bando.

O crime de estupro contra a estrangeira foi descoberto com a ajuda de câmeras do circuito interno de um posto de gasolina, onde o grupo parou para abastecer, com as vítimas dentro do veículo, e de imagens dos caixas eletrônicos, onde sacavam dinheiro com os cartões da americana e de seu namorado. Nesta segunda-feira, o delegado Alexandre Braga, titular da Deat, afirmou ao site de veja que o objetivo dos acusados era fazer uma “festa do mal”. “Eles compraram e consumiram bebidas alcoólicas e energéticos ao longo da noite”, afirmou.

Segundo Braga, a van chegou a atravessar a ponte Rio-Niterói e, naquela cidade, os criminosos decidiram voltar a Copacabana. Pelos depoimentos, a polícia concluiu que o grupo voltou ao apartamento das vítimas para pegar mais cartões de banco. A americana foi quem subiu até o apartamento, enquanto o jovem francês era mantido como refém. Apesar de ter tido a chance de fugir ou pedir ajuda, ela preferiu não expor o rapaz ao risco, por considerar que ele poderia ser assassinado.

O grupo vai responder pelos crimes de estupro, roubo e privação de liberdade por período relevante de tempo e corrupção de menores. Segundo as vítimas, um menor de idade, que desceu do veículo no caminho, trabalhava como cobrador da van. Braga afirmou ainda que abrirá novo inquérito para investigar os casos de roubos.

A suspeita da polícia é de que o grupo tenha cometido mais estupros, e espera que possíveis vítimas façam o reconhecimento dos acusados. O delegado da Deat está convencido de que o grupo tinha como objetivo principal cometer abusos sexuais – e, como mantinham as vítimas na van, aproveitavam-se disso para roubar.

O caso é um alerta para as autoridades de segurança do Rio. Além das modalidades de crime que estão explícitas na ação do trio, a polícia e as secretarias de transporte municipal e estadual precisam explicar como um veículo sem autorização para circular na capital percorre, há tanto tempo e com tanta frequência, o corredor turístico da cidade, indo de Copacabana à Lapa, passando pelos bairros de Botafogo, Flamengo, Glória e o Centro.

Exoneração – A descoberta do caso motivou a exoneração da delegada Marta Dominguez, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Niterói. No dia 23 de março, uma jovem também foi estuprada pelo mesmo grupo que praticou o crime contra a americana. Foi informado, através de nota da Polícia Civil, que a chefe da instituição, a delegada Martha Rocha, considerou que Dominguez não adotou as medidas necessárias na investigação. Também foi exonerada a diretora do Posto Regional de Polícia Técnico Científica (PRPTC) de São Gonçalo, que demorou a atender a vítima do estupro no dia 23.

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