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A postura do governo Lula diante da revelação de mais de mil mortes na terra Yanomami

Gestão petista questiona comparação de óbitos em relação ao mandato de Jair Bolsonaro

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 ago 2026, 13h30 | Atualizado em 24 ago 2026, 23h39
A postura do governo Lula diante da revelação de mais de mil mortes na terra Yanomami Priorizar nos meus resultados Google

Na edição de VEJA que está nas bancas, o Radar mostrou que dados do Ministério da Saúde apontavam a ocorrência de 1.121 mortes de indígenas Yanomami nos primeiros três anos de governo Lula. O dado é maior que o registrado na gestão de Jair Bolsonaro, quando 951 indígenas morreram.

A informação, que deveria assustar qualquer gestor público, provocou reação contrária no governo Lula, que se indignou com a revelação das mortes e não com o próprio quadro de crise humanitária na terra Yanomami, como denuncia a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Damares Alves.

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha gravou um vídeo para defender o governo, destacar as ações da atual gestão e criticar a revelação dos dados pelo Radar. Detalhe: os dados publicados em VEJA são de documentos do próprio ministério comandado por Padilha — e são até maiores: 1.138 e não a informação original repassada pela comissão que trata do tema no Senado (veja quadro abaixo).

A Presidência da República também enviou nota dizendo que “o Governo Federal considera grave a divulgação de análises inverídicas sobre a situação na Terra Indígena Yanomami a partir de dados apresentados sem a devida contextualização epidemiológica, histórica e operacional”.

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Não se trata de exaltar ou ocultar ações do atual governo. Trata-se de mostrar que mesmo com tudo que o governo diz ter feito, as mortes seguem em patamar elevado — e não há nada de inverídico nesse lamentável fato. Para o governo petista, no entanto, tudo parece ter conotação eleitoral.

A preocupação do ministro da Saúde, no vídeo, é com o impacto que a notícia pode ter na campanha de Lula. Não em explicar o motivo de tantas mortes na terra Yanomami, que chamaram a atenção de órgãos públicos, que farão visita técnica nas próximas semanas na região.

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Os dados do governo mostram que, entre 2023 e 2025, como revelou VEJA, os Yanomamis continuaram morrendo por desnutrição (104 óbitos), por malária (47 óbitos) e por doenças respiratórias (219 óbitos).

Relatório INFORME 09 sobre notificações de óbitos de indígenas Yanomami entre 2023 e 2025, mostrando redução de óbitos por IRA, desnutrição e malária, com gráfico de barras comparando os anos
(Ministério da Saúde/Divulgação)
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O ponto inicial da postagem de Padilha se referiu ao retrato que abria a nota, uma foto ilustrativa da crise Yanomami durante a gestão de Jair Bolsonaro — algo óbvio, já que a revelação do Radar tratou de mostrar que a tragédia, tanto na gestão bolsonarista quanto na petista, segue em semelhante patamar de mortes, segundo dados oficiais. Não se trata de apontar quem foi melhor, mas sim de mostrar que os Yanomamis continuam ameaçados, independentemente do governo de turno.

“Chocante essa imagem, né? Isso aqui pode ser utilizado para espalhar mentiras e tentar influenciar as eleições. Essa reportagem é de agora, tentando criticar o governo Lula, mas a foto é de 22 do governo Bolsonaro. Talvez você pense: ‘Beleza, a foto não é de agora, mas as mortes dispararam, certo?’ Não, desde 2023, mortes por desnutrição caíram 75%, infecção respiratória aguda 40%. Por malária, ninguém morreu por malária nesse primeiro semestre de 2026 e as mortes viveram caindo ano a ano”, diz Padilha no vídeo, evitando falar do dado geral de mortes apontado por VEJA.

Para o ministro da Saúde, como se vê, o problema está em divulgar os dados e não exaltar o governo pelo trabalho feito na terra Yanomami. Como se algo a comemorar existisse, diante de tantas mortes.

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É positivo que a assistência aos indígenas tenha melhorado em relação ao mandatário passado — algo que é uma obrigação de quem está no governo –, mas o fato mais grave e urgente é que a crise continua. A resposta da gestão petista para isso é… falar de Bolsonaro.

“O governo Bolsonaro tinha abandonado os indígenas e a região. Não tinha profissionais de saúde, registro do que acontecia, monitoramento, medicamentos, nada. Não tem comparação séria na área da saúde com dados que sequer eram no coletados”, diz Padilha. “Não se esqueça, nós estamos falando de um governo que chegou a pagar os dados de mortes da pandemia durante a Covid-19. Vamos mostrar que agora temos um governo que divulga os da e que o povo brasileiro tem memória”, segue o ministro em tom de exaltação.

A comparação com o governo de Jair Bolsonaro deveria indignar menos que a o dado de mortalidade atual, mas sobre isso ministro Padilha dedica apenas uma linha de comentário em sua postagem: Ainda tem muita coisa para fazer para proteger os Yanomami e combater o garimpo ilegal”.

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Gráfico de barras mostrando a distribuição de óbitos na população Yanomami de 2023 a 2025. Em 2023, 435 óbitos (barra azul); em 2024, 347 óbitos (barra laranja); e em 2025, 356 óbitos (barra verde). O relatório indica redução de 18,2% de 2023 para 2025

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