A ofensiva da Justiça Eleitoral para barrar candidatos do crime organizado no Rio
Tribunal Regional Eleitoral vai mapear candidaturas suspeitas com a ajuda de órgãos de segurança e inteligência
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) instalou um gabinete integrado com órgãos de segurança e investigação para tentar barrar a interferência de facções e milícias nas eleições de 2026. A iniciativa faz parte de uma ofensiva mais ampla contra a infiltração do crime organizado na política, um dos principais desafios da Justiça Eleitoral no estado.
O trabalho será dividido em duas frentes. A primeira é o mapeamento de locais de votação em áreas de alto risco, que poderão ser transferidos de endereço para impedir que o controle territorial de facções e imilícias interfira no exercício do voto. A segunda é o compartilhamento de informações entre os órgãos de segurança para identificar e barrar eventuais candidatos com vínculos com o crime organizado. O gabinete também deverá coordenar medidas de proteção de urnas, prédios públicos e equipes da Justiça Eleitoral durante a campanha e nos dias de votação.
O desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do TRE, definiu o enfrentamento do crime organizado no processo eleitoral como o principal eixo de sua gestão. Foi ele quem costurou o pedido de tropas federais para reforçar a segurança nas eleições. Em um primeiro momento, o desembargador Ricardo Couto, que governa interinamente o estado, havia dispensado a ajuda, mas recuou após ter sido alertado pelo Tribunal Regional Eleitoral sobre a necessidade do reforço.
A nova força-tarefa, batizada de Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional (Gaesi), reúne representantes dos governos municipal, estadual e federal. Participam a Procuradoria Regional Eleitoral, o Ministério Público do Rio, o Comando Militar do Leste, as polícias Federal, Civil, Militar e Rodoviária Federal, a Secretaria estadual de Segurança Pública, a administração penitenciária e a Guarda Municipal.
Parte das instituições que compõem o novo gabinete já participa do Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral, também criado pelo tribunal. A iniciativa reúne setores de inteligência para enfrentar sobretudo a coação de eleitores em áreas dominadas por facções criminosas e milícias.
A mobilização ocorre em um momento de preocupação crescente com a presença do crime organizado nas estruturas públicas fluminenses. Investigações recentes da Polícia Federal e do Ministério Público apontaram suspeitas de relações entre agentes políticos, milicianos e integrantes de facções, aumentando a pressão por mecanismos capazes de evitar que esse poder territorial seja convertido em influência eleitoral.







