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A nova empreitada de um estaleiro que quase quebrou nas investigações da Lava-Jato

Estaleiro Atlântico Sul preocupa o setor portuário ao tentar obter autorização para construir terminal de cargas em área liberada à fabricação de navios

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 ago 2026, 17h57
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Criado durante o primeiro governo Lula para ser um dos motores da retomada da indústria naval no país, o Estaleiro Atlântico Sul — formado pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, em sua origem — operou durante anos nas proximidades do Porto de Suape, em Pernambuco, até ser tragado pelas investigações de corrupção descobertas na Petrobras.

A Operação Lava-Jato revelou, a partir de delações premiadas e provas obtidas com ex-operadores do PT, que a gigantesca estrutura de construção de sondas para a Petrobras escondia um bilionário propinoduto destinado a enriquecer políticos e a abastecer o caixa dois das campanhas petistas e de seus aliados. Várias empreiteiras — inclusive as do estaleiro — estavam no esquema que ficou conhecido como “Clube do Bilhão”.

Quando o esquema ruiu e os contratos sumiram, o estaleiro entrou em recuperação judicial, tendo de lidar com uma dívida de mais de 1,3 bilhão de reais. A volta de Lula e do PT ao Planalto, no entanto, vem, aos poucos, mudando as coisas para o estaleiro — que voltou a fechar contratos.

Recentemente, o Atlântico Sul decidiu avançar num projeto bilionário de construção de um terminal portuário privado na área concedida pela União para operação de construção e manutenção de navios. No atual negócio, o estaleiro atua na reforma e manutenção de embarcações. Com um porto, no entanto, seus ganhos se multiplicariam.

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Precisando fazer caixa, o estaleiro decidiu monetizar o espaço que recebeu da União colocado em negociação uma área de 40 hectares para estruturação do novo empreendimento, formado por um terminal de movimentação de granéis líquidos, como combustíveis, e outro para cargas em geral.

O avanço do projeto na burocracia estatal chama a atenção das autoridades e também da empresa que administra o Porto de Suape. Num recurso, a operadora denunciou o desvio de finalidade do terreno, que deixou de ser usado para construção de navios para ser explorado como terminal privado de cargas.

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Argumentou que os donos do novo empreendimento teriam generosas vantagens comerciais com o negócio em concorrência com o terminal de contêineres de Suape. Afinal, o tradicional porto público organizado paga tarifas portuárias e valores de arrendamento, enquanto o novo porto privado teria custos de operação muito menores.

Concessionária do Porto de Suape, a empresa International Container Terminal Services (ICTSI) alertou o governo Lula, no fim do ano passado, sobre as irregularidades e o “insanável desvio de finalidade na ocupação irregular de terreno da União localizado no Terminal de Suape (PE), com grave e urgente dano ao interesse público e ao Erário”. 

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A partir da denúncia, a Secretaria Nacional de Portos, vinculada o Ministério dos Portos e Aeroportos, oficiou a Secretaria de Patrimônio da União para obter dados sobre o desvio de finalidade do terminal do estaleiro. Nada, no entanto, foi feito.

O projeto vem avançando em Suape, já com a solicitação de operação do terminal privado enviada à Antaq, sem que as autoridades e o governo Lula atuem no caso.

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