A mudança na percepção do eleitor em relação a Janja, segundo cientista político
Ao Ponto de Vista, Leonardo Barreto afirmou ainda que voto feminino será disputado tanto pela campanha de Lula quanto pela de Flávio Bolsonaro
As mulheres devem ocupar um papel central na disputa eleitoral, mas o peso desse eleitorado precisa ser compreendido dentro de um contexto mais amplo de vulnerabilidade social. A avaliação é do cientista político Leonardo Barreto, feita durante participação no programa Ponto de Vista desta segunda-feira, 13, ao analisar o comportamento do voto feminino e a estratégia de comunicação em torno da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
Para Barreto, a percepção pública sobre a primeira-dama passou por mudanças nos últimos anos. Segundo ele, na eleição anterior, Janja era vista como um elemento que transmitia juventude e vitalidade à imagem de Lula, interpretação que, em sua avaliação, dialogava com estereótipos presentes na sociedade brasileira sobre relacionamentos entre homens mais velhos e mulheres mais jovens.
De acordo com o cientista político, pesquisas qualitativas mais recentes indicam uma inversão dessa percepção. Em vez da imagem de uma companheira jovem, Janja passou a ser identificada principalmente como uma figura “cuidadora” do presidente.
Na avaliação de Barreto, essa mudança alterou o impacto político da primeira-dama na estratégia de comunicação do governo. Segundo ele, a percepção mais recente tende a produzir efeitos negativos, o que explicaria uma presença menos destacada de Janja na comunicação política.
Ao concluir a análise, o cientista político afirmou que a forma como a primeira-dama é percebida pelo eleitorado continua refletindo estereótipos de gênero presentes na sociedade brasileira, influenciando a leitura pública de sua atuação ao lado do presidente. A avaliação foi apresentada durante entrevista ao programa Ponto de Vista.
Voto feminino
Ao comentar o desempenho de Lula entre as eleitoras, Barreto afirmou que alguns analistas têm adaptado a máxima segundo a qual “é a economia” o principal fator determinante do voto. Segundo ele, no cenário brasileiro, a leitura tem sido substituída pela ideia de que “é o gênero”, em referência ao papel decisivo das mulheres na preferência pelo presidente.
Na avaliação do cientista político, entretanto, limitar a análise ao recorte de gênero não é suficiente. Barreto argumentou que as mulheres fazem parte de um conjunto maior de segmentos que, historicamente, apresentam maior vulnerabilidade social e, por isso, tendem a demonstrar maior apoio a políticas públicas de proteção do Estado.
Além das mulheres, ele incluiu nesse grupo pessoas com menor grau de instrução, menor renda e idosos. Segundo Barreto, esses segmentos compartilham características sociais que ajudam a explicar uma inclinação maior ao lulismo.







