A medida da prefeitura do Rio que impede ONGs de receberem emendas parlamentares
Medidas entram em vigor oito meses após investigações da PF que desmascararam atividades suspeitas em quatro entidades fluminenses
A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou, nessa terça-feira, 21, um decreto que impede ONGs que prestam serviços à capital fluminense de receberem verbas destinadas por meio de emendas parlamentares de senadores e deputados.
A medida, faz parte de um pacote de cinco atos administrativos e vale para as organizações sociais com contratos municipais. Também foram determinadas a criação de um orgão responsável por gerenciar o cadastramento das ONG’s junto à municipalidade e a implementação de um novo tipo de cadastro para entidades que prestam serviços ao poder executivo carioca.
Os decretos entram em vigor oito meses após investigações da Polícia Federal e auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) que desvendaram atividades suspeitas de diversas organizações de interesse social. Em novembro de 2025, VEJA identificou quatro ONGs que já prestaram serviços à prefeitura do Rio de Janeiro suspeitas de desviar recursos. Uma delas, a Con-tato era ligada aos irmãos Brazão, condenados, em fevereiro de 2026, a mais de 76 anos de prisão por mandar matar a vereadora Marielle Franco. Entre 2019 e 2024, a Con-tato movimentou mais 130 milhões de reais em emendas parlamentares.
Outra reportagem de VEJA trouxe à tona indícios de irregularidades na execução e prestação de contas e falta de capacidade operacional para executar projetos esportivos no Amapá. A OSC Inatos estava registrada em nome de uma aposentada de 72 anos que mora em uma casa simples, em Vila Isabel e firmou um convênio de 19,2 milhões de reais para um projeto chamado Conexão Norte.
O decreto da prefeitura inclui um período de transação para entidades que já recebem esse tipo de recurso. A medida visa evitar conflitos de interesse e também a sobreposição de recursos públicos.
A atividade suspeita e o desvio de verba realizado por organizações sociais não é uma novidade para a capital fluminense. Uma investigação da PF e do MPF no caso da OS, Pró-Saúde, em 2018, deflagrou o desvio de cerca de 74 milhões de reais dos cofres públicos.







