Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

A ‘Filosofia’ faz sucesso em universidade popular

Por Por Chloé COUPEAU 9 dez 2011, 16h45

Padeiro, enfermeiro ou professor – eles são milhares a participar, às segundas-feiras, do curso de filosofia ministrado por Michel Onfray, no décimo aniversário da Universidade Popular (UP) de Caen. As aulas são frequentadas pelo prazer de revigorar os neurônios ou pela consolação de encontrar aí uma visão própria do mundo.

“É extraordinário. Há 10 anos, estávamos num auditório (de 200 lugares). Depois, passamos para um anfiteatro um pouco maior e, de lá, para o teatro” de Hérouville Saint-Clair, perto de Caen, “com telas e cadeiras também do lado externo”, conta Jean-Pierre, professor aposentado, frequentador fiel do curso considerado, por ele, um “banho de juventude e inteligência”.

As pessoas vêm de longe para conseguir um lugar. No site da Universidade Popular, encontra-se pedidos de inscrição vindos de várias outras cidades.

Inaugurada em 2002, esta universidade gratuita é a resposta de Michel Onfray à chegada da Frente Nacional no segundo turno das eleições presidenciais.

A UP “parte do princípio de que “se as pessoas são racistas é porque falta cultura a elas”, explica o filósofo, que rompeu com o ensino habitual da disciplina e vive da venda de seus livros em 25 países.

Na Universidade, além da “contra-história da filosofia” de Michel Onfray, cerca de 20 professores voluntários dão conferências, com temas que vão da música antiga à matemática.

A ideia começa a ser adotada em outras cidades da França, como Lyon e Grenoble.

Continua após a publicidade

“Vocês mudaram minha vida”, comenta o ex-professor da escola técnica.

“Começo a ler pouco a pouco e isso dá dinamismo à minha vida. Sinto-me muito bem, comenta Rémi, um padeiro de 46 anos, ouvido ao sair de uma aula.

Para Pascale, 48 anos, desempregado, “isso me ajuda a viver. Quando você está deslocado, você se depara com a incompreensão. Sinto-me muito próximo dele, de seu hedonismo, ele tem palavras para coisas que não tenho”.

“Isso nos permite refletir, ter uma opinião sobre os inúmeros problemas atuais”, considera, por sua vez, Maurice, um aposentado da companhia de estradas de ferro. O curso é pontuado de referências à atualidade.

“Tudo é feito, atualmente, para dizer às pessoas que elas não são inteligentes. É comum ouvir: deixem isso para os especialistas. Aqui, as pessoas são estimuladas a dominar as questões para falar coisas realmente interessantes”, resume o filósofo libertário de 52 anos que apoiou Arnaud Montebourg durante as primárias socialistas.

Para o filósofo Raphaël Enthoven, que ensinou dois anos na UP de Caen antes de uma desavença com seu fundador, “Michel Onfray não aceita que não partilhemos suas ideias.

Mas “as pessoas, na Universidade Popular aprendem realmente coisas que as levam a pensar e isso é formidável”, acrescenta.

Continua após a publicidade

Publicidade