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A cultura japonesa ganha cada vez mais força no Brasil

Por Da Redação - 17 jul 2012, 19h30

Através de sua gastronomia, de suas artes marciais e de outras expressões culturais, a influente comunidade japonesa do Brasil, a maior do mundo fora do arquipélago, afirma seu orgulho étnico e preserva tradições centenárias.

Cerca de 1,8 milhão de brasileiros de origem japonesa vivem no Brasil, um pouco menos de 1% da população total brasileira. Cerca de 60% vivem no estado de São Paulo, com outras grandes concentrações nos estados do Paraná e do Mato Grosso.

Seu número cresceu recentemente devido ao retorno para o Brasil de dezenas de milhares de brasileiros de origem japonesa que se mudaram para o país asiático durante o boom econômico dos anos 70 e 80.

Mas o crescimento do Brasil, sexta economia do mundo, somado à desaceleração econômica japonesa, trouxeram de volta ao Brasil desde 2008 aproximadamente um terço dos estimados 300.000 imigrantes nipo-brasileiros que haviam saído do país.

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A força da comunidade japonesa no Brasil ficou evidente no Festival Anual do Japão, o maior de toda a América Latina, que terminou no domingo em São Paulo.

Um recorde de 190.000 pessoas, a metade delas não-japonesas, participaram dos três dias de celebrações em todo o país, segundo a KENREN, Federação de Associações de Províncias Japonesas, que organizou o evento.

“Temos descendentes de japoneses representando as 47 províncias do Japão e mostram suas respectivas comidas, danças e música”, disse à AFP Erika Yamauti, coordenadora da Japanfest.

“Cada vez mais visitantes vêm todos os anos, e a metade não é japonesa. Vêm pela comida, para aprender sobre o Japão”, disse.

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O evento, que começou há 15 anos, se transformou em um megafestival que atrai japoneses que vivem em países vizinhos, como Paraguai, Argentina e Peru, acrescentou.

“A essência do festival é a gastronomia e a diversidade culinária de suas 47 províncias”, disse Nelson Maeda, presidente do comitê organizador da festa.

“Mas o principal objetivo, além da preservação da cultura japonesa, é aprofundar a integração das comunidades japonesa e brasileira”, insistiu.

“Este ano marcou o 104º aniversário da imigração japonesa no Brasil. Temos gente da primeira, da segunda, da terceira e da quarta geração”, disse Maeda. “Somos muito bem aceitos pela comunidade brasileira e queremos retribuir abrindo nossas portas a ela”.

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Segundo dados do IBGE, os primeiros imigrantes japoneses -un grupo de 781 pessoas- chegou ao país para trabalhar no campo em 1908.

Esses imigrantes foram bem sucedidos, compraram terras e até hoje grandes cooperativas dirigidas por japoneses fornecem frutas e vegetais frescos aos mercados de Rio e São Paulo.

A comunidade japonesa é vista no Brasil como uma minoria bem integrada e bem sucedida, com um alto nível educacional. Muitos deles ocupam altos cargos no governo, nas finanças, na vida acadêmica e nos negócios.

“Os jovens brasileiros-japoneses están bem integrados”, disse Maeda. “Mas muitos deles não falam japonês. Por isso tentamos de expô-los às tradições japonesas, não apenas à comida, como também à língua, às artes, às danças”.

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