A cobrança de Fux ao governo sobre situação do espião russo
Ministro determinou que Ministério da Justiça apresente explicações sobre entrega de Sergey Cherkasov
O ministro Luiz Fux, do STF, determinou que o Ministério da Justiça apresente, no prazo de 10 dias, informações sobre o andamento da entrega do espião russo Sergey Cherkasov ao governo da Rússia.
Em 2023, o STF autorizou a entrega voluntária de Cherkasov à Rússia, solicitada por ele próprio. Entretanto, determinou que antes ele precisava cumprir no Brasil a pena a que foi condenado por falsidade ideológica — que era de 15 anos e foi reduzida depois para cinco.
Em julho, o Ministério da Justiça determinou a expulsão do russo do Brasil, com a proibição de retorno pelo período de 30 anos.
Um mês antes dessa decisão, a defesa do russo havia acionado o STF pedindo esclarecimentos sobre sua situação e informando que a Justiça Federal havia concordado com a entrega antecipada, antes do fim do cumprimento da pena. Foi essa manifestação da defesa que motivou o despacho de Fux.
“Considerando o decurso de extenso prazo desde o trânsito em julgado da demanda em 11. 4. 2023; bem como o pleito defensivo de informações sobre o andamento da entrega do extraditando, oficie-se ao Ministério da Justiça para que, no prazo de 10 dias (dez dias), preste informações acerca do andamento da entrega ao Governo da Rússia”, determinou o ministro, na semana passada.
Sergey Cherkasov foi preso no Brasil em abril de 2022, após ter sido impedido de entrar com documentos falsos na Holanda. Ele adotava a identidade de Victor Muller Ferreira, um suposto estudante brasileiro de relações internacionais nos Estados Unidos.
Tanto o FBI quanto a Polícia Federal (PF) apontam o sujeito como um agente de inteligência russo, que usou identidade falsa brasileira por 12 anos para atuar no exterior, em especial nos Estados Unidos e na Europa, embora não haja evidências de que atuou como espião contra o Brasil.
Após o caso vir à tona, o jornal americano The New York Times revelou em investigação que o governo de Vladimir Putin usou o Brasil como uma “fábrica de espiões”.
Pouco após a detenção de Cherkasov, os Estados Unidos pediram sua extradição, para que ele fosse julgado e preso lá. Segundo Washington, ele faria parte de um grupo de elite da espionagem russa e usava a identidade brasileira para se infiltrar em instituições e obter informações estratégicas do governo americano.
Antes de ser descoberto, o russo quase foi contratado para um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, onde poderia extrair informações sobre a investigação sobre crimes de guerra cometidos pelo Kremlin.







