A cobrança da ONU pela falta de auditores no Brasil em reunião do Conselho de Direitos Humanos
Relatoria questionou o motivo de escravidão e tráfico de pessoas ainda proliferarem após décadas de compromissos
Apesar de o Brasil ter resgatado cerca de 500 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em uma única operação nas últimas semanas, a relatora especial sobre escravidão contemporânea, Katarina Schwarz, aproveitou um encontro do Conselho de Direitos Humanos da ONU para questionar o motivo de, depois de tantos compromissos assumidos, a exploração ainda persistir.
“Após 100 anos de compromissos firmados, por que a escravidão e o tráfico de pessoas continuam a proliferar e o que precisamos fazer para os nossos compromissos virarem realidade?”, afirmou Katarina.
A avaliação é que o Brasil apenas administra esse problema, mas não apresenta avanços consistentes.
O relatório reconhece o país como um importante exemplo de atuação estatal no combate à escravidão contemporânea, mas aponta que a exploração continua atingindo principalmente populações em situação de vulnerabilidade, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, trabalhadores rurais e migrantes.
Entre os principais gargalos identificados está a “aguda falta de auditores, com foco nas áreas mais distantes do país”.
O documento recomenda claramente o reforço do quadro de servidores, além da ampliação de recursos financeiros e do uso de tecnologia para fortalecer a fiscalização trabalhista, especialmente em regiões rurais e remotas.
O Brasil possui pouco mais de 2,6 mil auditores-fiscais do trabalho, enquanto referências da Organização Internacional do Trabalho apontam para a necessidade de aproximadamente 5,4 mil profissionais.







