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A cada 90 minutos, pelo menos um ônibus é assaltado

Juntas, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador registram 16 crimes por dia

Por Bruno Abbud
17 ago 2011, 07h51

Entre 2000 e 2010, foram roubados 1, 4 milhão de reais de usuários de ônibus na capital baiana

No primeiro semestre deste ano, 2.846 assaltos a ônibus foram registrados em três capitais brasileiras. São 16 por dia. Um a cada 90 minutos.

Os dados escancaram a realidade do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Salvador. A capital Fluminense, onde um ônibus foi sequestrado na Avenida Presidente Vargas na semana passada, é a campeã disparada em crimes do tipo. No primeiro semestre deste ano, o Instituto de Segurança Pública do Governo do Rio contabilizou 2.039 assaltos a ônibus ─ 11 por dia.

Com cerca de 3.000 assaltos a menos, Salvador ostenta um vergonhoso segundo lugar. No mesmo período, foram 459 casos ─ quase três por dia ─, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). A medalha de bronze ficou com São Paulo: 348 ocorrências.

Salvador em perigo – Entre julho de 2010 e junho de 2011, a capital baiana registrou 780 ocorrências de assaltos a ônibus, uma média de 65 por mês – mais de dois por dia. Nesse período, 67.994 reais foram furtados de motoristas, cobradores e passageiros.

A comparação entre os primeiros semestres de 2010 e de 2011 informa que os assaltos a ônibus em Salvador cresceram 20%. Foram 459 este ano ─ e 32.502,28 reais roubados. Em 2010, as 383 ocorrências renderam aos bandidos 29.783,45 reais.

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Só em junho, os 97 assaltos proporcionaram um lucro de 8.359,45 reais aos criminosos. Na última década, o mês que mais registrou ocorrências foi abril de 2002, com 280 assaltos. Em dez anos, foram roubados 1.433.406,30 reais dos passageiros soteropolitanos.

São Paulo menos vulnerável ─ “Apenas 8% das passagens de ônibus de São Paulo são pagas em dinheiro”, informou Isao Hosogi, conhecido como Jorginho, presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas). Segundo ele, é por isso que a quantidade de assaltos a ônibus na capital paulista é bem menor que no Rio de Janeiro.

De acordo com a SPTrans, empresa que administra os ônibus paulistanos, a implantação em 2004 do Bilhete Único ─ cartão que permite aos usuários pagar o valor da passagem sem ter que utilizar dinheiro vivo ─ e a proibição, em 2008, da recarga do bilhete diretamente com o cobrador, fizeram com que os assaltos diminuíssem drasticamente na cidade. Em 2009, foram registrados 1.693. Em 2010, 1.170. Neste ano, 348. Apesar da diminuição, ainda são dois assaltos por dia. Um a cada doze horas.

Conduta incorreta ─ Jorginho julgou incorreta a conduta do motorista Wagner da Silva França, de 40 anos, que, quando percebeu a ação dos assaltantes no sequestro desta terça-feira, saltou do ônibus e avisou a polícia. “Sou contra essa atitude”, disse. “Ele teve sorte de não levar um tiro pelas costas”.

De acordo com o presidente do Sindmotoristas, a orientação que o sindicato passa aos funcionários dos 15.000 ônibus que circulam por São Paulo é não reagir em caso de assalto. Segundo Jorginho, os motoristas e cobradores paulistanos não recebem nenhum tipo de treinamento para lidar com situações como a que parou o Rio de Janeiro na noite de terça-feira.

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