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A ameaça de morte a Jô Soares foi apagada do asfalto, mas o vergonhoso momento de intolerância é indelével

A prefeitura de São Paulo tirou do chão em frente ao apartamento do apresentador a estúpida provocação anônima

Por Fábio Altman 20 jun 2015, 14h47

“Sei não se vai sair!”, cinco palavras que, na voz de um dos personagens de Jô Soares no tempo em que ele tinha um programa humorístico no ar, rapidamente virariam bordão adesivo. “Sei não se vai sair!”, dizia um funcionário de empresa contratada pela prefeitura, ouvido pela reportagem da Folha de S. Paulo, enquanto esfregava com detergente o asfalto em frente ao prédio no qual mora o apresentador da Globo. Na sexta-feira, 19, o chão do bairro nobre de Higienópolis, zona oeste de São Paulo, apareceu pichado com uma frase imbecil: “Jô Soares, morra.” Foi uma resposta descabida e inaceitável à entrevista que Jô fizera com a presidente Dilma Rousseff, e que muitos consideraram chapa branca. Pouco importa. Jô fez milhares de entrevistas ao longo de sua carreira, algumas aparentemente suaves,outras quentíssimas. Ponto. Aos desgostosos, bastaria mudar de canal, escrever alguma coisa, reclamar em mesa de bar, postar nas redes sociais ou simplesmente aceitar uma ideia diferente. “Sei não se vai sair”. Mas saiu, embora o xingamento torpe, vergonhosamente anônimo, vá permanecer por muito tempo como um dos pontos mais baixos do Brasil em tempos de lava-jato. Uma boa ideia, tudo lavado, seria agora imprimir na rua a frase com que o próprio Jô respondeu ao ataque: “Se entrevisto um tucano, sou petista. Se entrevisto um petista, sou tucano.”

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