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Youtuber degusta peixe-pênis em vídeo ‘relaxante’ visto por 2,5 milhões

Moças mastigando animais marinhos, de formato similar ao órgão sexual masculino, integram moda dos canais ASMR e somam milhões de visualizações no YouTube

Por Redação - Atualizado em 16 dez 2019, 16h54 - Publicado em 16 dez 2019, 16h46

A sul-coreana Ssoyoung faz sucesso em seu canal de YouTube ao reagir com caretas e grunhidos em desafios culinários, no mínimo, inusitados. No vídeo descrito como “o real som de comer”, ela se debate com uma bacia cheia de “gaebuls”, ou “peixe-pênis“, que ficou recentemente conhecido no Ocidente após uma praia californiana ser invadida pelo animal na última quarta, 11. Em português, além do nome que leva a crer erroneamente que pertence à classe dos peixes, é conhecido também como o “verme gordo”. Seu corpo pode chegar a 30 cm de comprimento e tem cor marrom amarelada.

Com o mote “doce e forte”, Ssoyoung se lança a desafios extremos tais quais comer animais (vivos ou não) ou Paqui, autointitulado como as tortilhas mais apimentadas do planeta, por exemplo. Seu canal estourou em setembro deste ano, com um vídeo em que ela ingere, aos montes, fitas-adesivas comestíveis. Todos eles fazem parte da moda de vídeos ASMR, sigla em inglês para “resposta meridional sensorial autônoma”. Entre sussurros e estalar de dedos, além de práticas bem menos ortodoxas, youtubers como a sul-coreana vêm arrebanhando milhões de seguidores com essa técnica de acalmar e induzir sono, calcada, por incrível que pareça, em conhecimentos da neurociência (conheça melhor a prática aqui).

O sucesso do vídeo é tamanho que é legendado em onze línguas diferentes, incluindo inglês e espanhol, e já foi visto por 2,5 milhões de pessoas. Segundo o site de métricas em redes sociais Social Blade, os ganhos de seu canal podem chegar a 2,4 milhões de dólares por ano (o equivalente a 9,7 milhões de reais). Ssoyoung parece se divertir com os desafios: “Você está se movendo muito. Por favor, pare”, diz ela para o peixe-pênis, aos risos, mas com asco aparente.

Depois, ela faz o empratamento: de um lado, o verme se movendo; de outro, o animal sem as vísceras, pronto para ser servido com molho. “Ele estava vivo há poucos minutos, então ainda está muito fresco e tem uma boa textura”, diz a youtuber. “Delicioso”, completa depois, ao provar com óleo de gergelim. E assim devora o prato, entre doses de soju (bebida destilada coreana) e folhas de alface, com o som das mordidas amplificado que, supostamente, teria efeito relaxante aos ouvidos. Apesar de seu aspecto pouco comum à culinária brasileira, sites sobre gastronomia coreana comparam o sabor da iguaria ao dos mexilhões.

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Molusco afrodisíaco

O peixe-pênis não é o único animal que remete ao órgão sexual masculino a garantir likes e dólares a youtubers corajosas. Outro exemplo é a amêijoa-gigante, uma espécie de molusco bivalve marinho, nativo das águas costeiras do oeste do Canadá e do noroeste dos Estados Unidos. A vietnamita Linh aparece dando tapinhas na casca que protege o animal e o apresenta a seus seguidores. Ao ser colocada na fervura, a amêijoa solta água e o som é amplificado. A youtuber, então, retira a pele exterior do bicho, o tempera com molho apimentado e começa a mastigá-lo lentamente.

A cena, que pode parecer angustiante para muitos, se estende pelos próximos 7 minutos no vídeo feito, segundo a prática ASMR, para causar a sensação de bem-estar e relaxamento. Ele contabiliza, até o momento, 4 milhões de visualizações. O Linh ASMR acumula 1,17 milhão de seguidores, e seus vídeos já foram vistos 281 milhões de vezes. Segundo o site Socialblade, seus ganhos com o canal são estimados em até 500 mil dólares por ano, o equivalente a mais de 2 milhões de reais.

A espécie apresentada por Linh é a maior amêijoa do mundo, pesando em média 1 kg, mas podendo chegar a 5 kg e até 1 metro de comprimento. Apesar de seu cultivo no ocidente, é muito popular na China. Segundo a revista Saveur, é tida como uma iguaria afrodisíaca no Extremo Oriente por seu aspecto fálico.

 

 

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