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‘O Fim da Viagem’: crônica sobre mocinha japonesa perdida em terra exótica

O diretor Kiyoshi Kurosawa revela costumes muito diversos dos uzbeques e as barreiras linguísticas de uma japonesa perdida na Ásia Central

Por Isabela Boscov - Atualizado em 13 set 2019, 10h47 - Publicado em 13 set 2019, 07h00

(To the Ends of the Earth/Tabi no Owari Sekai no Hajimari, Japão/Uzbequistão/Catar, 2019. Já em cartaz no país) Na paisagem em tudo exótica do Uzbequistão, Yoko (a pop star japonesa Atsuko Maeda) se concentra para, cada vez que a câmera começa a rodar, mostrar-se no seu modo mais alegre e expansivo — exatamente o oposto do que ela é na realidade. Apresentadora de um programa ligeiro de viagens (o produtor vive descartando pautas porque julga que elas não interessarão ao seu público), Yoko é retraída, calada e tende a se isolar; terminado o trabalho, aventura-­se sozinha — ainda que cheia de medo — pelas ruas das cidades Samarcanda ou Tashkent, correndo em pânico sempre que alguém se aproxima dela. Os costumes muito diversos dos uzbeques e as barreiras linguísticas de uma japonesa perdida na Ásia Central testam Yoko até seu limite, mas, nesta crônica gentil do veterano diretor Kiyoshi Kurosawa (nenhum parentesco com o mestre Akira Kurosawa), o teste se revelará, afinal, imensamente enriquecedor. Feito com a espontaneidade de um registro documental, o filme tira grande partido dos momentos em que a fantasia de Yoko irrompe na ação.

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