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Em romance peculiar, autora fala de mulher que dormiu por um ano

'Meu Ano de Descanso e Relaxamento’, da americana Ottessa Moshfegh, vai do drama ao humor ácido em narrativa sobre jovem em fuga da realidade

Por Raquel Carneiro - 15 jul 2019, 15h49
(Tradução de Juliana Cunha; Todavia; 240 páginas; 54,90 reais e 32,90 reais na versão digital) Divulgação

Uma jovem que, aparentemente, tem pouco a reclamar – é bonita, inteligente e rica – decide se dopar com remédios e dormir por um ano. A hibernação forçada, garante ela, seria uma forma de autopreservação em resposta ao vazio e à tristeza crônica, agravados pela morte dos pais e pela falta de aptidão para escolher bons relacionamentos – o único namorado citado por ela na trama é um sujeito grotesco, no limite do desprezível. Ambientado na virada do ano 2000, culminando em um acontecimento real que aterrorizou Nova York (e o mundo) em 2001, o livro de Ottessa Moshfegn – americana filha de mãe croata e pai iraniano – fala sobre o drama da saúde mental e sobre o desejo da alienação em tempos de excesso de informação. Mas o fundo melancólico se mistura a bons momentos de humor ácido. Entre um sono e outro, a protagonista sem nome engata sessões de terapia com uma psicóloga desvairada em busca de psicotrópicos. De vez em quando, recebe a visita de uma amiga alcoólatra ou conversa com estranhos em episódios de sonambulismo, enquanto conjectura sobre o passado familiar, um emprego frustrado em uma galeria de arte moderna e a paz de não saber (ou se importar) com o noticiário.

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