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Donavon Frankenreiter chega ao Brasil para tocar suas canções praieiras

O guitarrista e compositor americano, um dos pilares da nova surf music (rótulo que ele contesta), faz oito apresentações no país no início de janeiro

Por Sérgio Martins 16 dez 2019, 12h36

Surf music foi um termo criado no início dos anos 60 para definir os instrumentistas e bandas cujas músicas tinham temas como praia, garotas, carrões e, claro, surf. Embora a maioria desses artistas jamais tenham subido numa prancha – nos Beach Boys, apenas o baterista Dennis Wilson se aventurou pelo esporte – o gênero foi a trilha sonora da juventude daquele período e teve como seus principais arautos, além dos Beach Boys, a dupla Jan & Dean e astros instrumentais como o guitarrista Dick Dale e os grupos The Trashmen e The Ventures. O americano Donavon Frankenreiter, embora seja um adepto das canções praieiras, sente dificuldade em assumir suas composições como surf music. “Não sou de rotular meu trabalho, mas gosto de cantar sobre esses temas”, diz ele, em entrevista à VEJA. “Mas é uma analogia muito banal, né? Eu gosto de surf, então chamam o que eu faço de surf music”, desabafa. No Brasil, Frankenreiter figura no panteão dos frequentadores de praia, que têm por ele a mesma devoção que tinham pelo reggae do inglês Pato Banton, o rock dos australianos Spy vs Spy e Australian Craw e as baladas acústicas do cantor Jack Johnson. Um dos motivos dessa devoção está nas melodias doces e letras como as de Big Wave, na qual compara a amada a uma onda. No início de janeiro, Donavon faz turnê por oito cidades brasileiras: Florianópolis, Bombinhas, Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Recife, Fortaleza e Rio (ingressos pelo site http://www.livepass.com.br/event/donavon-frankenreiter/).

https://www.youtube.com/watch?v=2s4slliAtQU

 

O cantor, compositor e guitarrista de 47 anos tem uma trajetória singular. Para início de conversa, foi sua mulher quem sugeriu que ele transformasse a praia e o surf no tema de suas composições. Frankenreiter era guitarrista da Sunshine, banda especializada em recriar o southern rock de Allman Brothers e Lynyrd Skynyrd, entre outros grupos dessa seara. A rotina do Sunshine, no entanto, o deixou enfastiado. “Eu tinha me tornado uma vitrola humana, tocando sempre as mesmas músicas nos botecos”, confessa. Até que a sra. Frankenreiter ordenou que ele passasse a compor suas próprias músicas e sobre assuntos que dominasse. O início não foi fácil “Demorei um ano e meio para criar coragem e encarar uma plateia”, confessa. Seu primeiro punhado de composições chamou a atenção de Jack Johnson, cantor e guitarrista americano, que produziu seu disco de estreia. O estilo desses dois artistas, embora trafeguem por um universo semelhante, são bem diferentes. Johnson é mais afeito a baladas, ao passo que Frankenreiter, ainda que seja um romântico rasgado, passeio por ritmos como rock e o funk.

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Frankenreiter já declarou amor ao Brasil várias vezes por causa da afeição que o país tem pela praia e pelas baladas. Mas em seu caso, não é um elogio pró forma. Ele participou de canções ao lado do grupo Kid Abelha e da cantora Paula Toller. Em julho, emendou uma parceria com a cantora Céu. Listen to the Ocean é um protesto contra a poluição nas praias. “Me mandaram um som com barulhos de ondas e canto de baleias e disseram que eu tinha uma semana para criar uma canção”, revela. “Eu fiz algo como se fosse um protesto do oceano contra o ser humano”.

 

A militância em prol das praias é a única política adotada nas letras de Frankenreiter. “Não falo de política ou subo no palco para dizer que estou triste”, comenta. As performances no Brasil terão uma novidade. O cantor irá subir ao palco ao lado de um guitarrista. As bases das canções serão providenciadas por um disco de vinil, que será colocado também ao lado da dupla. “É uma tarefa difícil porque não dá espaço para improvisação. Mas também é curioso porque há momentos em que o disco ‘pula’”, confessa o cantor. Frankenreiter até não ser o arauto da nova surf music, mas com certeza criou a trilha de um luau bem animado.

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