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Sem irreverência: o politicamente correto deu o tom da Sapucaí

Com um olho nas demandas sociais e o outro no escrutínio das redes, a maior parte das escolas e das estrelas se esmerou neste ano em fazer tudo certinho

Por João Batista Jr. Atualizado em 28 fev 2020, 09h57 - Publicado em 28 fev 2020, 06h00
Paolla Oliveira Reprodução/Instagram

Com o tribunal das redes sociais a postos para ver, julgar e cancelar pessoas por qualquer escorregadela (e até sem nenhuma), o politicamente correto deu o tom na Sapucaí. Nunca tantas musas e rainhas de bateria fizeram questão de anunciar que haviam optado por fantasias e enfeites capazes não apenas de enaltecer o que elas têm de melhor — o corpão —, mas também de evidenciar seu engajamento em causas do bem. Pedido invisível por trás das intenções positivas e sinceras: caprichem nos likes, por favor.

– À frente da bateria da Grande Rio, Paolla Oliveira vestiu uma releitura da primeira fantasia de Carnaval usada pelo pai de santo Joãozinho da Gomeia, tema do enredo da escola. “Pegamos referência na Cleópatra interpretada por Liz Taylor no cinema e também em um desfile de John Galliano nos tempos de Dior”, explica Marcell Maia, stylist da atriz. As matérias-primas foram metal reciclável e uma borracha não tóxica (evidentemente), assessoradas por uma capa de organza bordada de micropaetês. Terminado o desfile, Paolla tirou do armário um romance que já dura meses. Em um camarote, circulou pela primeira vez de mãos dadas com Douglas Maluf, coach de inteligência emocional que cobra 1 500 reais por consulta.

Carl de Souza/AFP

– Carioca da Tijuca, na Zona Norte do Rio, a nadadora Anna Giulia França nunca imaginou que se tornaria estrela do Carnaval por uma escola do outro lado da Baía da Guanabara, a campeã Viradouro, de Niterói. “Precisavam de uma negra capaz de ficar debaixo d’água bastante tempo”, diz. Submersa em um aquário de 7  000 litros, Anna representou Oxum, protetora das lavadeiras de roupa à beira da Lagoa do Abaeté, em Salvador — o enredo da vitoriosa. Sorrir e acenar dentro da água foi a parte fácil, conta a atleta, que integra a seleção brasileira de nado artístico. “Difícil era sair e continuar a cantar o samba. Ficava recitando na cabeça enquanto nadava”, afirma. Anna adorou a experiência, apesar de ter sido “a única pessoa a sair da Sapucaí com frio”. Detalhe conservacionista: a sobra do estoque da água mineral usada no tanque (já que a das torneiras do Rio está longe de ser transparente) vai ser doada a instituições de caridade.

Com reportagem de Cássio Bruno e Maria Clara Vieira

Publicado em VEJA de 4 de março de 2020, edição nº 2676

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