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“Se fosse Fusca, não teria revolta”, diz dono de festa com carros de luxo

Advogado Fernando Vieira diz que guarda foi chamada por preconceito contra pessoas bem sucedidas

Por João Batista Jr. Atualizado em 4 Maio 2020, 14h49 - Publicado em 4 Maio 2020, 14h33

O advogado Fernando Vieira convidou amigos em sua casa da Riviera, no litoral paulista, para comemorar seus 35 anos de idade, no domingo, 3. Parte dos colegas integra o Car Lounge Brasil, grupo formado por apaixonados por carros esportivos de luxo, com sede no Tatuapé, em São Paulo. Com cerca de quinze carrões na porta da mansão, alguns avaliados em mais de 1 milhão de reais, entre Ferraris, Porsches, Lamborghinis e Mercedes, Vieira recebeu a visita da guarda do condomínio — chamada por um vizinho incomodado com a aglomeração social em tempos de pandemia. Conversa encerrada com a guarda, a folia teve autorização para prosseguir. “Se estivessem dez Fuscas na porta de casa, não causaria revolta alguma. Há preconceito contra pessoas bem sucedidas”, diz ele.

Vieira fala de seu passado de superação. Ele nasceu em Guaianazes, um dos bairros mais carentes da periferia leste de São Paulo, e atualmente mora na cidade de Mogi das Cruzes. “Sou ex-policial militar”, conta. Hoje, ele é dono de um escritório de advocacia com cinco escritórios e de uma empresa de segurança. E, embora não tenha problema em falar de suas conquistas (“tenho uma Ferrari e um Porsche Carrera”), pediu para VEJA não publicar uma foto sua justamente por questão de segurança.

O senhor se arrepende de ter dado a festa? Não. Salvo engano, foi um argentino que toda hora faz denúncia a respeito de vizinhos. Foi uma festa de aniversário e havia no máximo vinte pessoas. Todos nós testamos para Covid, e deu negativo. Ou seja, era um ambiente seguro. Quem viu a matéria da VEJA pode pensar que era um baile funk, mas a Riviera é lugar de descanso. Não existe uma proibição legal de reunião de pessoas, mas uma orientação. Eu, como advogado e integrante do grupo, não iria infringir nenhuma norma. Agora, tem o outro lado. Nós do grupo estamos fazendo diversas doações para quem passa necessidades, também abrigamos cachorros de rua. Mas quando vamos ao centro de São Paulo e à Cracolândia fazer trabalho social, não ficamos postando.

Por qual razão foi chamada a guarda  em razão de sua festa? Foram chamados e todos foram bem tratados. Pediram para baixar o som, embora o som não estivesse alto, e atendemos ao pedido sem estarmos extrapolando os limites legais. Ter uma casa e não pode reunir os amigos, não faz sentido. Mas a questão é outra.

  • E qual é a questão? Se tivessem dez fuscas aqui na frente da minha casa, não causaria revolta alguma. Aliás, aqui na Riviera tem diversas casas com vinte e trinta pessoas passando a quarentena. Existe uma inveja das pessoas contra pessoas bem sucedidas. Ao contrário dos Estados Unidos, onde mostrar ascensão social é bem visto, no Brasil as pessoas são crucificadas. Tem MCs que têm casas aqui, correm com seus carros pelas ruas de areia, gente que acelera e atropela animais… Eu mesmo já fiz reclamação para a segurança, mas isso não causa revolta.

    Como senhor avalia o governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia? Eu votei nele e avalio esse momento com partes boas e ruins. Penso que o presidente deveria se comunicar de uma forma diferente. Por outro lado, a economia do país está pior em razão da pandemia e, ao mesmo, tempo vemos as praias cheias neste momento. Há duas semanas, não tinha ninguém. Mas não quero me aprofundar nisso.

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