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Os bastidores da volta de Gabriela Pugliesi (e a autoajuda mara) às redes

A influenciadora evocou Deus e culpou o ego em vídeo de retorno à internet; sua reclusão envolveu leituras e anunciantes negociando posts patrocinados

Por João Batista Jr. - Atualizado em 20 jul 2020, 19h30 - Publicado em 20 jul 2020, 19h10

Em uma estratégia pensada com amigos, familiares e empresários, Gabriela Pugliesi saiu da toca com um vídeo editado e legendado. Ela reativou seu Instagram três meses após ter sido cancelada por dar uma festa em sua casa, furando a quarentena ainda em seu início. O autogolpe foi catastrófico na imagem em razão da frase “f***-se a vida”, em meio à pandemia. Ela se preparou para o vídeo postado no começo da noite desta segunda, 20. Nos últimos meses sem passar 24 horas com o celular na mão, foi orientada a ler livros sobre feminismo e racismo como forma de entender mais sobre o contexto do mundo. Também pesquisou e assistiu lives a respeito da cultura do cancelamento por meio do perfil de seu cachorro. Desplugada, pero no mucho. Passou a ser espectadora da plataforma que a transformou em celebridade.

Na gravação de retorno (assista abaixo), Gabriela evoca a constante necessidade de evolução, de sair da bolha e não ignorar a realidade das pessoas para além de se círculo social. Pugliesi traz à tona, assim, toda a teoria de manuais de autoajuda para dizer ter se tornado uma pessoa melhor. “Compreender a dor e aprender com ela” é uma das aspas ditas por ela no vídeo de pouco mais de 10 minutos. A moça responsabiliza, em parte, seu otimismo por ter fechado os olhos para uma parte cruel do mundo. Diz que o ego e a vaidade fazem perder a compreensão. Uau!

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Há alguns pontos inconsistentes no argumento dela. Influenciadora há uma década, ela diz que até a festa em questão não tinha noção de seu tamanho. Difícil de acreditar quando seu faturamento inteiro é pautado por números, algoritmos e métricas. Seguidores e dinheiro andam de mãos dadas, e ela sabe disso.

Verdade seja dita: Pugliesi foi a única celebridade cancelada de fato por ter furado a quarentena. Muitas outras estão fazendo festas durante a pandemia, até com mais convidados, a exemplo de Mario Velloso. Nada aconteceu. No caso dela, pesou o fato de vender saúde e bem estar — e de a irmã ter sido a noiva do ‘corona wedding’, em março. na Bahia.

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Ela perdeu todos os seus patrocinadores, mas agora o fato: há anunciantes negociando posts patrocinados com ela. A procura tem sido por publicidades menores, não nomes grandes do mercado de moda e beleza. E o valor dos anúncios deve cair drasticamente neste primeiro momento. Na era pré-cancelamento, ela tirava 200 000 reais em um mês bom e tinha contratos com marcas como Hope e Rappi.

Pedir desculpas e entender o erro são atitudes louváveis. Resta saber se aprendeu a ter noção sobre a responsabilidade que tem para com seus 4 milhões de seguidores e se aprendeu algo com o episódio.

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