Clique e assine a partir de 9,90/mês
VEJA Gente Por João Batista Jr. Notícias, bastidores e conversas de quem é assunto na cultura, na política, nos negócios e em outras rodas

Pandemia faz Globo acelerar mudanças em contratos de artistas

Emissora tem chamado atores, diretores e autores três meses antes do término do prazo dos antigos acordos

Por João Batista Jr. - Atualizado em 21 maio 2020, 19h08 - Publicado em 21 maio 2020, 18h48

Com a crise acarretada pela pandemia, a Rede Globo está antecipando a estratégia de colocar a maior parte possível de seu elenco no sistema de contrato por obra — e não mais em acordos de longo prazo, como era o hábito da companhia. Atores, autores e diretores estão sendo chamados três meses antes de o contrato vencer para serem avisados que a renovação não ocorrerá nos moldes antigos. Circula na casa que 80% de toda a equipe artística deve passar a ter que trabalhar sob a nova dinâmica, semelhante ao modelo dos estúdios de Hollywood.

Permanecem com contratos de longo prazo poucas estrelas e medalhões de décadas, como Susana Vieira, Gloria Pires, Tony Ramos, Lilia Cabral, Grazi Massafera, Tatá Werneck, Paolla Oliveira e Marina Ruy Barbosa. Regina Duarte era uma dessas raras artistas cujo contrato era de longo prazo, a despeito de apoiar um político que tem a emissora como inimiga. Mas, como se sabe, ela rompeu o vínculo com a Globo para embarcar no governo Bolsonaro.

ASSINE VEJA

Covid-19: Amarga realidade As cenas de terror nos hospitais públicos brasileiros e as saídas possíveis para mitigar a crise. Leia nesta edição.
Clique e Assine

Não há chiadeira por parte dos artistas: muitos deles querem ter liberdade de poder trabalhar com outras plataformas. Marco Pigossi e Alessandra Negrini, por exemplo, gravaram uma série inédita pela Netflix que ainda não foi ao ar. Danilo Mesquita, co-protagonista da releitura da novela Éramos Seis, também fez filme para a maior empresa de streaming do mundo.

Alessandra Negrini: contrato por obra permite ter a liberdade para atuar na Globo e na Netflix Ernani d'Almeida/VEJA

Todos os contratos novos têm uma cláusula de “produtividade”: o artista recebe 50% a mais quando está no ar. Em tese, esse termo não seria necessário em uma obra com começo, meio e fim para acabar. Mas a pandemia está moldando um mundo muito mais imprevisível. Artistas da novela Amor de Mãe, por exemplo, estão recebendo 50% do salário por não estarem no ar — mesmo se voltarem a gravar apenas no ano que vem (toc, toc, toc), seguirão recebendo a metade do cachê.

Continua após a publicidade

Procurada, a Globo mandou o seguinte comunicado: O nosso banco de talentos é um ativo permanente, mantido com o cuidado e o investimento de sempre. E não é novidade que existe um balanceamento entre contratos de prazo longo e de obra certa, a fim de atender de forma racional ao nosso permanente fluxo de produções. Esse equilíbrio é buscado permanentemente. Temos tomado, ao longo do último ano, uma série de medidas para preparar a empresa para os desafios do futuro. Evoluímos nos nossos modelos de gestão: na criação, pré-produção, produção, e desenvolvimento de negócios, assim como na gestão de talentos. Tudo em sintonia com as transformações pelas quais passa nosso mercado e em linha com as novas dinâmicas de parceria da Globo com os seus talentos, para atender melhor o consumidor em nossas múltiplas plataformas.

Publicidade