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O bafafá da tela que passou de 100.000 para 1,5 milhão de reais em dias

O badalado marchand Paulo Kuczynski encontrou a assinatura de Nicola Antonio Facchinetti em obra que antes era apenas atribuída ao pintor

Por João Batista Jr. - Atualizado em 20 set 2019, 19h12 - Publicado em 20 set 2019, 06h30

Responsável por vender recentemente o quadro A Lua, de Tarsila do Amaral, ao MoMA por 20 milhões de dólares, o badalado marchand Paulo Kuczynski virou o assunto da ArtRio, feira de artes plásticas. O motivo? Uma questão de autenticidade. Há um mês, Kuczynski arrematou por 100 000 reais a tela Noturno na Praia de Icaraí, atribuída ao artista Nicola Antonio Facchinetti (1824-1900). Ressalve-se: a casa Cia Paulista de Leilões leiloou o produto dizendo se tratar de uma “atribuição” ao pintor, sem dar certezas. E, como num passe de mágica, a peça ressurgiu com a assinatura de Facchinetti, agora oferecida por mais de 1,5 milhão de reais. VEJA conversou com Kuczynski sobre a questão.

Como a assinatura do artista foi parar no quadro onde não havia nada? Tinha visto algo apenas parcial com a retirada da moldura. No entanto, quando o quadro foi trabalhado pelo restaurador Cláudio Valério Teixeira, a assinatura ficou evidente.

A obra em questão aparece reproduzida em algum livro dedicado ao trabalho de Facchinetti? Não, justamente porque é inédita e estava numa mesma coleção fazia 100 anos. Foi um achado. Acontece muito no mercado das artes.

Então o senhor e o profissional que limpou a obra garantem que o quadro pintado no século XIX é verdadeiro? Estou no mercado há cinquenta anos e tive muitos Facchinettis, sei muito bem do que falo.

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O senhor arrematou a obra por 100 000 reais e a pôs à venda por mais de 1,5 milhão de reais menos de um mês depois… Não gosto de comentar valores, mas posso dizer que pagaria muito mais no primeiro arremate. Tinha certeza de que se tratava de um autêntico Facchinetti. Agora, falam de mim por eu ter proeminência nesse mercado. Faz parte.

A tela em questão: “o” assunto da ArtRio Reprodução/VEJA

Publicado em VEJA de 25 de setembro de 2019, edição nº 2653

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