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MP quer investigar Valdemiro Santiago por vender falsa cura de Covid

Líder da Igreja Mundial do Poder de Deus pede 1.000 pela semente milagrosa de feijão

Por João Batista Jr. - 9 May 2020, 09h27

Nova estratégia para arrecadar dízimos, a comercialização de “semente” milagrosa de feijão fez o procurador Wellington Saraiva pedir ao Ministério Público de São Paulo que denuncie o autodenominado apóstolo Valdemiro Santiago por suposta prática de estelionato. Em culto onde colocou 3.000 pessoas no mesmo ambiente e acompanhado por VEJA, em São Paulo, o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus sugere o valor de 1.000 reais pela semente. “Ela vai fazer prosperar e evitar todos os problemas”, disse ele. Valdemiro se referia ao coronavírus. Segundo sua lógica, os fiéis devem demonstrar amor por seus familiares comprando a tal da semente: “Leva para os filhos, para a nota, para os netos, pata todo mundo.” Imagens no telão mostram a semente sendo plantada. Mais de 50 obreiros com várias delas nas mãos passam pelas fileiras lotadas ofertando o produto, vendido em dinheiro ou com máquina de cartão de crédito.

Valdemiro Santiago falou que, segundo os médicos e a sociedade como um todo, ninguém deveria frequentar igrejas. “Querem fechar as ruas, mas daí vocês acordam mais cedo para poder chegar no culto no horário. Não tem problema.” Valdemiro Santiago define a Covid-19 como “Exu Corona” e afirma que o número de mortos no Brasil é fake news. “Isso é coisa do maligno: simular que alguém morra para aterrorizar as pessoas”, praguejou. Valdemiro se referia a uma notícia falsa, propagada pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), de que caixões vazios estariam sendo enterrados no Ceará. Algumas pessoas dão testemunho de cura do coronavírus. “Quem cura é Deus não a ciência”, diz Valdemiro.

Para entrar em culto da Mundial, é preciso fazer um cadastro prévio pela internet e, na entrada, uma obreira passa álcool gel nas mãos de todos.

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