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Leo Dias fala de recaída e sobre sua saída do SBT: “acabou de vez”

Ele vai escrever com Rodrigo Pimentel um livro sobre o sequestro de Patricia Abravanel: "vamos contar tudo"

Por João Batista Jr. - Atualizado em 26 nov 2019, 18h14 - Publicado em 26 nov 2019, 17h44

Autor de alguns dos principais furos do mundo artístico, Leo Dias anuncia sua saída do programa Fofocalizando, do SBT. A relação entre ele e colegas de programa estava péssima, com troca de farpas ao vivo e clima bélico nos bastidores e nas redes sociais. Na semana passada, Dias chegou a ser suspenso da atração por reclamar de problemas técnicos. Desta vez, não houve acordo de paz e a parceria de três anos, acompanhada pelo público como um reality show, acabou. Aos detalhes:

O que aconteceu? Eu estava em uma longa conversa, agora a emissora concordou com a rescisão: acabou de vez. Estou aliviado porque não era mais querido pelo elenco e direção do Fofocalizando. O SBT foi muito importante em me estender a mão na questão da minha condição de dependente químico, mas ao mesmo tempo o canal se aproveitou dessa questão.

Explique melhor. Por eu ser dependente químico, não aumentaram o meu salário e também negaram todos os meus pedidos. Sou muito grato aos três anos em que fiquei na emissora, mas sentia que a praça de São Paulo não me respeitava mais. Eu não tenho script, havia uma tensão constante sobre tudo o que falaria no ar. Agora, eu ralava para trabalhar e levar conteúdo exclusivo à atração. Mas sei que errei muito também.

Em quais aspectos errou? Tentei passar uma informalidade no ar, mas o resultado parecia uma criancice. Eu também não soube ouvir ‘não’. No Prêmio Multishow, o Fofocalizando queria que eu fosse cobrir de dentro de um cercadinho. Já passei dessa fase da minha carreira.

O que vai fazer agora? Quero descansar um pouco, mas ontem a Daniella (Albuquerque, apresentadora e mulher do sócio da RedeTV!, Amilcare Dallevo) me mandou uma mensagem escrita assim: ‘o Dallevo te quer’. Eu só não repetir a experiência tida no SBT, com a cobrança diária de entrar ao vivo. Se o TV Fama for mais light, três vezes por semana… Eu não estou mais preocupado com essa questão de visibilidade. Não é verdade que eu adoro a fama. Tenho ficado mais em casa. Sei que se for em um restaurante, serei o assunto da mesa ao lado. Não deixo de sair, de fazer nada, mas não gostei de ter passado para o outro lado. A minha essência como repórter nunca vai mudar.

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Há algum benefício em ter ficado famoso? Não gosto da fama. Mas eu falo com todas os grandes personagens do Brasil. Ontem, estava no WhatsApp com Xuxa, Rodrigo Faro e Carlinhos Maia. Ninguém no Brasil tem a mesma agenda que eu. Então, digamos assim, ser famoso me ajudou a conseguir boas histórias. Mas meu problema é outro: tenho o grande defeito de me misturar com a notícia. Fico chateado quando a Anitta só pensa nela, quando a Ludmilla é ingrata… eu não sei separa as coisas. De outro lado, essa proximidade com as pessoas me permitiu dar furos enormes, como os bastidores da briga entre essas duas cantoras. Tudo tem os dois lados.

Você teve recaídas em sua dependência da cocaína? Sim, as recaídas acontecem. Não vou negar.

Quando foi a última vez em que usou droga? Eu te falo que não foi hoje; mais que isso, não. Eu sei de meu mérito, mas o SBT ignorava-o por causa da dependência química.

Patricia Abravanel grávida
Patricia Abravanel, filha de Silvio Santos: sequestro sofrido por ela em 2001 será tema de livro escrito por Leo Dias em parceria com Rodrigo Pimentel Divulgação/SBT

Essa sua relação tóxica com elenco e direção existe há tempos. Por que decidiu sair agora? Verdade, mas a gota d’água para a minha saída foi quando soube que um diretor do SBT ligou para um colunista para falar mal de mim. De toda forma, agradeço ao Lucas Gentil, diretor que me levou ao SBT, e ao Silvio Santos, que sempre apostou em mim. Aliás, escrevi uma carta de próprio punho para entregar ao Silvio. Sou grato a ele por tudo.

Quais são os seus planos? Não quero voltar para a TV neste ano, só em 2020. Para o ano que vem, meu grande projeto será escrever em parceria com Rodrigo Pimentel (ex-capitão que inspirou o Capitão Nascimento de Tropa de Elite) toda a verdade sobre o sequestro de Patricia Abravanel, que logo mais completará vinte anos (ocorreu em 2001). Tentei entrevistar a Patricia, mas ela nunca topou. Eu e Rodrigo faremos um trabalho de grande apuração. Iremos contar tudo e lançar o resultado de forma independente, sem emissora.

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