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A Lava Jato causa pânico no mundo das artes plásticas

A repercussão da Galeria, a 65ª fase da operação

Por João Batista Jr. - Atualizado em 13 set 2019, 10h11 - Publicado em 13 set 2019, 06h30

Batizada de Galeria, a 65ª fase da Operação Lava-Jato prendeu de forma preventiva Márcio Lobão, filho do ex-senador e ex-ministro Edison Lobão. Morador da Avenida Atlântica, no Rio, ele é investigado por usar o mercado de arte para lavar dinheiro — os desvios chegam a 50 milhões de reais.

Márcio negociou dois exemplares de Ivan Serpa e outro de Milton da Costa na Galeria Almeida e Dale, e um de Beatriz Milhazes, na Fortes Vilaça, ambas de São Paulo. A primeira galeria, aliás, foi alvo de mandados de busca e apreensão por parte da Polícia Federal. Casado com Marta Fadel, cuja família é conhecidíssima colecionadora de obras de arte (há diversos exemplares de Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Candido Portinari na coleção), Márcio era um clientão das duas galerias suspeitas de vender obras por valores combinados, com negociações em dinheiro vivo e nota fiscal adulterada. Com o avançar das investigações, e a partir dos papéis obtidos nas galerias, a Polícia Federal espera descobrir outros clientes que usam quadros e esculturas para fraudar o Erário e lavar dinheiro.

O ex-senador Luiz Estevão, preso em regime semiaberto, era cliente da Almeida e Dale. Um detalhe pôs fogo no mercado de arte: a operação ocorreu dias antes de começar a ArtRio, a maior feira do setor do Brasil, que abre as portas para compradores na quarta-feira 18. A Almeida e Dale terá um estande no evento, que movimenta — oficialmente — 100 milhões de reais por edição.

Publicado em VEJA de 18 de setembro de 2019, edição nº 2652

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