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. Thomas Traumann Jornalista e consultor de comunicação, é autor de "O Pior Emprego do Mundo", sobre o trabalho dos ministros da Fazenda. Escreve sobre política e economia

Entenda a engenharia do governo para privatizar a Petrobras

BNDES e BNDESPar vão vender R$ 30 bilhões em ações quando a companhia for para o Novo Mercado

Por Thomas Traumann 25 out 2021, 18h03

A engenharia financeira para reduzir a participação do governo na Petrobras inclui levar a companhia para o Novo Mercado, fundindo ações ordinárias e preferenciais, e vendendo os quase 8% de participação do BNDES e BNDESPAr, informaram dois ministros a par do assunto. A iniciativa do governo foi dada hoje à tarde pela repórter Renata Agostini, da CNN. As ações da Petrobras subiram 7,1% hoje com a possibilidade. Na prática, a manobra é uma privatização da Petrobras via mercado acionário.

O governo Bolsonaro quer reduzir a sua participação na Petrobras, mas manter a golden share, a cláusula de controle da companhia. É o mesmo operacional da Embraer, privatizada nos anos 1990, mas que não impediu a companhia de ser quase vendida à Boeing no governo Temer.

A mudança exige a aprovação do Congresso, mas o governo deve usar como argumento que o dinheiro obtido com as ações será usado no pagamento do programa social substituto do Bolsa Família, o Auxílio Brasil. O novo programa vai custar em torno de R$ 30 bilhões, menos do que o valor das ações do BNDES.

No modelo desenhado no Ministério da Economia, nenhum investidor provado terá mais de 10% das ações da Petrobras, o que não impede que em consórcio informal eles tenham o direito de indicar a maioria dos membros do Conselho de Administração.

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