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40 anos de ‘O Homem de Seis Milhões de Dólares’

‘Steve Austin. Astronauta. Um homem semi-morto. Senhores, nós podemos reconstruí-lo. Temos a capacidade técnica para fazer o primeiro homem biônico do mundo. Steve Austin será este homem. Muito melhor do que era. Mais forte, mais rápido’. Este era o texto de abertura da série O Homem de Seis Milhões de Dólares que estreou no dia […]

‘Steve Austin. Astronauta. Um homem semi-morto. Senhores, nós podemos reconstruí-lo. Temos a capacidade técnica para fazer o primeiro homem biônico do mundo. Steve Austin será este homem. Muito melhor do que era. Mais forte, mais rápido’.

Este era o texto de abertura da série O Homem de Seis Milhões de Dólares que estreou no dia 18 de janeiro de 1974, há 40 anos, pela rede ABC.

Na história, Steve (Lee Majors) é astronauta que sofre um acidente enquanto testa um novo modelo de avião. Gravemente ferido, ele é levado à sala de cirurgia onde é submetido a uma operação que substitui seu olho e braço direito, bem como as duas pernas, por partes biônicas. Seus novos membros lhe dão a capacidade de enxergar a longas distâncias, bem como uma visão infravermelha, além de ser capaz de correr em alta velocidade. Embora sinta-se como um monstro de Frankenstein, Steve acaba cedendo às exigências do governo que gastou seis milhões de dólares para trazê-lo de volta à vida. Assim, ele se torna um agente que cumpre missões para a OSI.

A série surgiu do livro Cyborg, escrito por Martin Caidin. Com roteiro de Howard Rodman, que utilizou o pseudônimo de Henri Simoun, o projeto foi oferecido pela Universal à rede ABC. O canal não gostou muito do roteiro e pediu que ele fosse reformulado. Quando Rodman se recusou, o estúdio chamou Steven Bochco, na época um roteirista iniciante que estava sob contrato da Universal, para reescrever o roteiro. Bochco não entendeu porque teria que refazer o texto, visto que ele parecia ser muito bom do jeito que estava. Mas acabou aceitando a tarefa quando o próprio Rodman ligou e lhe pediu que acatasse as mudanças exigidas pelo canal. Dizem que a ABC queria diluir a ênfase aos conflitos morais para favorecer as cenas de ação, entre outras mudanças.

Sem creditar o trabalho de Bochco, a ABC estreou o telefilme Six Million Dollar Man no dia 7 de março de 1973. Apesar de ter conquistando uma boa audiência, o canal não estava satisfeito com o conteúdo para encomendar uma série. Eles gostavam da ideia, mas não estavam entusiasmados com a forma como ela foi posta em prática. Assim, dois novos telefilmes foram encomendados. Glen A. Larson foi chamado para escrever o roteiro do primeiro, que recebeu o título de Wine, Women and War, o qual foi ao ar no dia 20 de outubro de 1973. Este era uma adaptação do segundo livro de Caidin, Operation Nuke. O terceiro telefilme trouxe uma história original escrita por Larry AlexanderAlan Caillou e exibido no dia 17 de novembro de 1973. Considerados o segundo e o terceiro piloto da série, estes telefilmes trouxeram, a pedido da ABC, mudanças significativas em relação ao primeiro. A principal delas foi a de transformar Steve Austin em uma espécie de agente 007.

Apesar dos dois telefilmes terem conquistado uma boa audiência, a ABC ainda não estava satisfeita com o resultado. Mesmo assim, encomendou a produção da primeira temporada da série, encarregando o roteirista e produtor Harve Bennet de reformular o projeto. Bennet tinha 40 dias para estruturar a série e produzir os quatro primeiros episódios antes da estreia na segunda quinzena de janeiro de 1974.

A versão de Bennet humanizou novamente o personagem, abandonando os ares de James Bond. Steve ganhou um histórico familiar e um passado, com o qual o público poderia se identificar. Também tornou o personagem mais leve, aceitando melhor sua nova vida, chegando ao ponto de demonstrar um certo senso de humor. Outra mudança que Bennet fez foi nas cenas em que Steve aparece correndo. Inspirados nos comerciais de jogos esportivos, nos quais os jogadores aparecem em câmera lenta, Bennet decidiu utilizar imagens de Steve correndo em câmera lenta para identificar a utilização dos biônicos. Ele também incluiu um som característico sempre que o olho e o braço biônico entram em ação.

No primeiro telefilme, Steve trabalha para Oliver Spencer, interpretado por Darren McGavin. Oliver era mais insensível e distante, chegando ao ponto de perguntar para o Dr. Wells se seria possível manter Steve inconsciente entre as missões que ele realizaria para o governo. Quando a série foi encomendada, McGavin já estava envolvido na produção de Kolchack. Assim, ele foi substituído por Richard Anderson, que interpretou Oscar Goldman. Este era um homem mais político e amigável, capaz de negociar seus interesses e ceder quando achasse necessário.

Já o personagem do Dr. Rudy Wells, responsável pelos implantes e manutenção dos biônicos, foi interpretado por três atores diferentes. Martin Balsan interpretou o personagem no primeiro telefilme. Quando os dois telefilmes seguintes foram produzidos, o ator não estava mais disponível, sendo substituído por Alan Oppenheimer, que continuou interpretando o personagem nas três primeiras temporadas da série. Sendo contratado por episódio, a presença do ator dependia de sua disponibilidade. Assim, ele foi substituído por Martin E. Brooks, que foi contratado como parte do elenco da série.

Jaime Sommers e Steve Austin

Em 1975, Majors pediu para os produtores para dar ao personagem um interesse romântico. Reza a lenda que ele estava interessado em dar à sua esposa Farrah Fawcett uma oportunidade de interpretar a namorada de Steve Austin. A atriz já tinha feito uma participação especial em dois episódios da série, exibidos em 1974. Mas, em seu lugar, os produtores chamaram Lindsay Wagner. Assim surgiu Jaime Sommers, que se tornaria a Mulher Biônica. A intenção dos produtores era a de mostrar ao público o lado sentimental de Steve, bem como explorar seu passado.

Jaime é uma antiga paixão de infância que se torna tenista profissional. Em um episódio dividido em duas partes, Jaime visita sua cidade natal onde reencontra Steve, com quem inicia um relacionamento. Mas um acidente de paraquedas a deixa à beira da morte. Steve implora a Oscar que a submeta a uma cirurgia biônica e, assim, seu ouvido e braço direito, bem como as duas pernas, são substituídos. Mais tarde, o corpo de Jaime rejeita os membros biônicos, levando-a à morte. Todos achavam que este seria o fim de Jaime, mas o público se manifestou e exigiu seu retorno.

Em um novo episódio, novamente dividido em duas partes, Steve descobre que Jaime foi submetida a uma experiência, que a trouxe de volta à vida, mas comprometeu sua memória. Sem se lembrar de seu passado, ou de quem ele é, Jaime passa a trabalhar para o governo. Os dois tentam realizar uma missão juntos, mas os flashes de lembranças que ela tem de seu relacionamento com Steve lhe causam problemas. Temendo que seu esforço para se lembrar do passado possa lhe causar uma nova hemorragia, Oscar e Rudy decidem afastar Jaime de Steve. Esta é a desculpa para que a personagem estrele sua própria série, independente das histórias produzidas para O Homem de Seis Milhões de Dólares.

Steve e Oscar Goldman

Steve e Oscar Goldman

Durante a produção de O Homem de Seis Milhões de Dólares, os produtores também introduziram um menino biônico, interpretado por Vincent Van Patten. Na história, Andy é um rapaz que sofre um acidente o que o leva a ser submetido a uma cirurgia de implantes biônicos. Mas, quando o governo percebe que o rapaz não é capaz de controlar seus poderes, decide neutralizar a super força dos biônicos, deixando que o rapaz tenha uma vida normal.

Majors aceitou a história do menino biônico mas, quando os produtores decidiram introduzir um cão biônico, o ator bateu o pé e se recusou a filmar a história. Assim, o cão biônico foi transferido para a produção de A Mulher Biônica.

Após cinco temporadas, a série começou a perder o interesse do público, o que levou ao seu cancelamento em 1978. Sobrevivendo nas reprises, Steve e Jaime se tornaram heróis de novas gerações, levando a Universal a produzir três telefilmes reunions: The Return of the Six Million Dollar Man and the Bionic Woman (1987), Bionic Showdown (1989) e Bionic Ever After? (1994), no qual Steve e Jaime finalmente se casam. Por curiosidade, o segundo telefilme foi produzido com a intenção de ser o piloto de uma nova série. Na história, Steve e Jaime ajudam os jovens Jim e Kate a utilizarem seus membros biônicos. Kate era interpretada pela então desconhecida Sandra Bullock.

Com a boa receptividade dos telefilmes, a Universal pensou em dar à série uma versão cinematográfica. Kevin Smith chegou a escrever um roteiro, mas o filme não foi produzido. Em 2003 surgiram rumores de que uma versão poderia ser produzida com Jim Carrey ou Leonardo DiCaprio no papel principal. O que também não aconteceu. Em 2006, o intérprete de Oscar Goldman revelou durante uma entrevista na Comic Con que a produção de um filme estava dependendo de uma disputa travada entre a Miramax e a Universal pelos direitos autorais.

Esta disputa teve início quando a Universal, por esquecimento ou desinteresse, não renovou seu contrato com os herdeiros de Caidin. Estes, então, fizeram um acordo com a produtora Dimension, entre de 2001 e 2002, para a produção de uma versão cinematográfica. Apesar do projeto ter ido para a gaveta, os direitos continuaram nas mãos da Dimension, que na época era de propriedade da Miramax. Esta disputa também impediu que a Universal lançasse a série em DVD, pois o estúdio teria que ter a autorização legal para lançá-la em novas mídias.

A disputa foi definida em 2010, quando a Universal, em parceria com a Time Life, lançou O Homem de Seis Milhões de Dólares e A Mulher Biônica em DVD, nos EUA. Apesar disso, não há, até agora, informações de que um filme seja produzido.

Outras séries que completam 40 anos de produção este ano são Kolchak, Planeta dos Macacos, O Elo Perdido, Police Woman, Capitão Marvel, Rhoda, Chico and the Man, Nakia, Os Pioneiros, Arquivo Confidencial e Happy Days.

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  1. Comentado por:

    Silvia

    Olá, Fernanda!
    Essa data (18 de janeiro de 1974) deve ter sido quando a série estreou nos Estados Unidos, né? E aqui no Brasil, você lembra quando começou a passar e em qual emissora?
    Obrigada,
    Sílvia

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  2. Comentado por:

    SILVESTRE PEDRO DE ALCÂNTARA FILHO

    ATÉ HOJE ESTOU ESPERANDO A DISPONIBILIZAÇÃO DESSA SÉRIE EM DVD PARA
    COMPRÁ-LA. TOMARÁ QUE ISSO ACONTEÇA NO CORRENTE ANO!

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  3. Comentado por:

    Jose Liofrido

    Puxa,eu passei quase 40 anos imaginando que o nome da Mulher Biônica fosse Jamie,mas vejo agora ,repetidas vezes nesse artigo que era Jaime,um nome masculino e latino. Vivendo e aprendendo!!

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  4. Comentado por:

    ernesto

    Até que tentaram, fazer uma nova versão para a mulher biônica,mas não deu certo,qto ao jim carrey ainda bem que não aconteceu,não gosto dos filmes com este ator.

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  5. Comentado por:

    kamylo

    E lá se vão 40 anos que eu ouvia essa narração. Bons tempos aqueles. Os efeitos especiais eram pobres, (quando ele corria super-rápido, passava em câmera lenta), mas tinha muita criatividade. Hoje o computador faz tudo, perdeu a graça.

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  6. Comentado por:

    Hélio

    Esse filme influenciou o linguajar da política daquela época aqui no Brasil. Os senadores e deputados nomeados pelo colégio eleitoral (leia-se: nomeados pelos militares) recebiam o nome de :Senadores biônicos e deputados biônicos. E nas propagandas de televisão foram utilizados, em alguns momentos, aqueles “efeitos” que simulavam uma grande força ou grande velocidade. Os efeitos eram toscos e ruins se compararmos com o que temos hoje. Mas se imaginarmos o que existia na década de 70, era o que existia de mais sofisticado.

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  7. Comentado por:

    Giovanni Dulor Chagas

    Farrah Fawcett só não pode ser a Mulher Biônica porque quando recebeu o convite ,já havia assumido compromisso em ser uma das panteras .

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