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Quem é Arsène Lupin, personagem que inspirou a série de sucesso da Netflix

Criado por Maurice Leblanc no início do século XX, ladrão francês fez sucesso como versão às avessas do detetive britânico Sherlock Holmes

Por Amanda Capuano Atualizado em 29 jan 2021, 19h41 - Publicado em 27 jan 2021, 12h53

Desde que estreou na Netflix, no início do mês, a série francesa Lupin não deixou a lista de mais vistos da plataforma, consolidando-se como mais um fenômeno da gigante do streaming. Na trama, Assane Diop (Omar Sy) é filho de um imigrante senegalês que se suicidou depois de ser erroneamente acusado de roubar um colar de seu ex-patrão, o patriarca de uma influente família parisiense. Já na vida adulta, Diop descobre a armação dos ricaços e decide se vingar traçando um plano mirabolante para roubar a joia que deu origem a seu sofrimento. A inspiração para a façanha é a carreira criminosa de Arsène Lupin, um personagem célebre da literatura francesa.

Criado em 1905 por Maurice Leblanc, Lupin é uma espécie de Sherlock Holmes às avessas. Sua primeira aparição foi no conto A Detenção de Arsène Lupin, encomendado pela revista Je Sais Tout justamente como uma resposta ao sucesso do detetive inglês. Ao contrário de Holmes, o francês não estava interessado em combater crimes, mas em cometê-los da maneira mais rocambolesca possível. A disputa com Holmes era tão escancarada que Leblanc chegou a introduzi-lo em um de seus livros, o que levou Arthur Conan Doyle a entrar na Justiça para impedir que ele usasse o nome de seu famoso detetive. A solução do francês foi mudar o nome do investigador para um nada sutil Herlock Sholmes, e seguir se divertindo com a briga de gato e rato entre Lupin e Sholmes – sempre, é claro, com o triunfo do ladrão ao final.

Capa do Livro de Arsène Lupin, de Maurice LeBlanc
Capa do Livro de Arsène Lupin, de Maurice Leblanc via Getty Images Photo12/Universal Images Group/Getty Images

Além das comparações com o inglês, o criminoso ganhou popularidade fisgando o público com uma sagacidade quase inacreditável e deboches com a burguesia francesa. O visual formal, sempre acompanhado de uma cartola e de um monóculo, lhe rendeu o epíteto de “ladrão de casaca”. Suas vítimas, aliás, eram sempre provenientes da alta aristocracia do país, e nunca os menos favorecidos – o que levantou comparações com o famoso ladrão Robin Wood. A história fez tanto sucesso que Leblanc nunca parou de escrever suas aventuras. Elas renderam 17 livros e cerca de 40 contos. Em entrevista à revista Variety, o parisiense Omar Sy chegou a dizer que o personagem é tão francês que é impossível crescer no país e não saber quem é Arsène Lupin. O ator ainda afirmou que o ladrão é o papel perfeito para atores, já que, além de “divertido, engraçado e elegante”, ele é um gênio do disfarce – quase um cameleão do crime, que muda sua aparência para se camuflar nos ambientes e realizar seus planos inacreditáveis. 

Maurice Leblanc, autor de Arsène Lupin
Maurice Leblanc, autor de Arsène Lupin Reprodução/Getty Images

Para além da literatura francesa e da série da Netflix, Lupin foi adaptado para o cinema. Nos anos 1930, a MGM lançou um filme baseado na obra de Leblanc, intitulado Arsène Lupin. Com John e Lionel Barrymore no elenco, o longa acompanhava a história de um detetive encarregado de capturar o misterioso ladrão, que sempre encontrava uma forma de se safar. O criminoso ainda ganhou uma releitura algumas gerações adiante, no mangá Lupin III e no anime de mesmo nome. A obra acompanha o neto do ladrão, que segue o legado do avô e lidera um grupo de criminosos.

Leblanc nasceu no dia 11 de dezembro de 1864, na França e ficou famoso como um escritor de contos. Alcançou o ápice da fama através das histórias de Arsène Lupin, e seguiu escrevendo e vivendo da fama do personagem até sua morte, aos 77 anos, em 1941.

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