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Tela Plana Por Blog Críticas e análises sobre o universo da televisão e das plataformas de streaming

Protagonista de ‘You’ enfrenta vilões à sua altura em 3ª temporada

Casado com uma assassina tão perigosa quanto ele e morando num subúrbio de ricaços enxeridos, Joe tenta ser um novo homem – e se manter vivo

Por Raquel Carneiro 15 out 2021, 09h21

Quando foi lançada pela Netflix, em 2018, a série Você – comumente chamada no Brasil de You, seu nome em inglês – fez um sucesso retumbante – e causou controvérsia na mesma proporção. Joe Goldberg (vivido por um afiado Penn Badgley) é um jovem franzino, caladão e acima de qualquer suspeita. Na livraria onde trabalha, ele conhece uma bela jovem e logo fica com a certeza: os dois estão destinados a viver juntos para sempre. O romance, porém, é um pesadelo disfarçado. Joe persegue a garota, acessa seu celular e, eventualmente, mata todos os que podem atrapalhar o namoro. O que seria uma boa sacada da série – a de subverter o conto de fadas tradicional – provocou celeuma. Pois boa parte de seus espectadores, quem diria, se apaixonou pelo vilão em pele de cordeiro – e, nesse balaio, a Netflix foi acusada de romantizar um psicopata.

A crítica perdeu força na segunda temporada, com Joe em fuga por seus crimes do passado. Agora, na terceira leva de episódios de You, que chega à plataforma nesta sexta-feira, 15, a acusação se desfaz de vez. Joe, um predador conturbado e obsessivo, se casou com sua última “vítima”, Love Quinn (Victoria Pedretti). Ela também é uma pessoa conturbada, obsessiva e deveras perigosa — talvez mais que Joe, pois age por impulso, enquanto ele é metódico. Não bastasse viver pisando em ovos com a mulher, com o intuito de criar um lar para seu filho recém-nascido, Joe e sua jovem família se mudam para um subúrbio endinheirado em San Francisco, onde todos os moradores escondem alguns podres no porão.

É divertido observar Joe em um ambiente que o encolhe. Vivendo do dinheiro da família da esposa, preocupado em não irritá-la e cercado por câmeras de segurança e olhares julgadores de vizinhos sorridentes, o rapaz se esforça para ser um novo homem. Tudo pelo filho. Flashbacks mostram as dores de Joe por ter sido abandonado pela mãe e pelo bullying sofrido no orfanato, memórias que ditam muitas das ações do personagem – mas passam longe de isentá-lo dos seus erros: afinal, ele já havia matado alguém antes de viver entre órfãos.

O esforço para se encaixar e se comportar encontra um empecilho literalmente ao lado: uma vizinha alta, loira, chique e sensual. Joe acaba retomando velhos hábitos, como observá-la escondido, segui-la pela rua e fantasiar com um grande romance. Porém, a nova paixão mede forças com seu medo: a esposa Love é mais letal que ele. O nome da personagem (amor, em português) é outra boa sacada do roteiro. Fica, então, clara a mensagem geral da série: com a paixão não se brinca.

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