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‘Ninguém está a salvo’: atores falam a VEJA sobre fim de The Walking Dead

Seth Gilliam e Ross Marquand, intérpretes de padre Gabriel e Aaron, analisam a jornada de seus personagens e contam se sobreviveriam a um apocalipse zumbi

Por Raquel Carneiro 1 mar 2021, 12h57

Em 2020, a pandemia da Covid-19, quem diria, interferiu em um apocalipse zumbi. A popular série The Walking Dead teve as filmagens de sua décima temporada interrompidas, assim como outros programas de TV e filmes de cinema pelo mundo. Assim, a produção dividiu a temporada em três partes. A terceira e última, que contará com seis episódios, começou neste domingo, 28, no Star Channel, ex-Fox. O longevo seriado, que alcançou audiências estelares, agora se aproxima do fim: sua 11ª temporada, prevista para 2022, será o grand finale.

A VEJA, os atores Seth Gilliam e Ross Marquand, intérpretes de padre Gabriel e Aaron, respectivamente, falam sobre a chegada do desfecho e a jornada no programa:

 

Como várias outras séries, The Walking Dead foi afetada pela pandemia. Como foi voltar ao set neste momento tão delicado?

Seth Gilliam – Foi depressivo. Seguimos vários protocolos, como ficar distante de outros atores e usar nos bastidores diversos equipamentos de proteção, como protetor facial e um aparelhinho que nos rastreava, avisando se estávamos muito perto de outra pessoa. Então era depressivo viver nessa situação, especialmente quando nos lembrávamos que haviam pessoas nos hospitais, cercadas por roupas e máscaras de proteção como aquelas que estávamos usando. Mas também ficávamos motivados ao pensar que levaríamos entretenimento para o mundo, nem que fosse uma hora por semana, para que o espectador se distraia da realidade.

Tanto Aaron quanto o padre Gabriel são personagens com uma longa estrada pela trama, que passaram por diversas transformações. Como analisam essa jornada?

Seth Gilliam – Épica. Eu diria que a jornada do padre Gabriel foi épica. Desde quando o vimos pela primeira vez, no topo de uma rocha gritando por socorro, até se tornar um dos líderes de Alexandria, ele deixou de ser o homem que trancou para fora da igreja os próprios fiéis e se tornou capaz de proteger e defender uma nova congregação nessa nova comunidade. E como o personagem já passou por muitas reviravoltas, não tenho a menor ideia sobre como será seu fim.

Ross Marquand – Eu costumava dizer que o Aaron se tornou mais obscuro e obstinado. Mas acho que ele sempre foi obstinado. Para mim, a grande virada e evolução do personagem foi quando ele se percebeu como um líder, que as pessoas confiavam nele. Pois no começo ele era o braço direito da Deanna (Tovah Feldshuh), então líder de Alexandria. Depois, se submeteu ao Rick (Andrew Lincoln). E agora, sem esses dois personagens, ele percebeu que precisava se impor, assim como o padre Gabriel.

Ao longo das temporadas, muitos personagens morreram. Vocês já sentiram, alguma vez, que o fim estava próximo para seus personagens?

Seth Gilliam – Vale dizer todos os episódios (risos)?

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Ross Marquand – Exato, pegamos o roteiro já com medo. Teve um episódio específico, na sétima temporada, em que Aaron e Rick vão atrás de mantimentos e eles acabam perseguidos pelo grupo de Negan. Nessa, eles caem na água e zumbis estão atrás deles. Enquanto eu lia aquilo, pensei: “ok, é aqui que eu morro”. Mas, milagrosamente, não foi. Então não dá para saber quem vai morrer ou não. Ninguém está a salvo. Acho que essa é uma das coisas mais divertidas na série, pois não são só os espectadores que se surpreendem, nós também ficamos surpresos.

Na vida real, acreditam que sobreviveriam a um apocalipse zumbi?

Ross Marquand – Olha, ao conviver com o Seth pelos últimos sete anos, posso dizer com toda certeza que ele se sairia bem (risos). Tem outras pessoas na série que eu olho e penso: “essa daí não sobreviveria não”. Mas o Seth ficaria bem. Ele tem um instinto de sobrevivência dentro dele, do tipo que faz o que for necessário. É um lutador.

Seth Gilliam – Sim, basicamente me trancaria em casa e manteria distanciamento social (risos). Mas ele falou de mim e não falou sobre si mesmo. Ross iria sobreviver. Ele é aquele cara que acampa no meio da floresta, que come vegetais crus. Com certeza ele mataria animais selvagens com as próprias mãos (risos).

Ross Marquand – Eu fui escoteiro, então sei fazer fogueira, acampar. Acho que vou ficar bem. Eu gosto muito do Brasil, já viajei pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Paraty me apaixonei pela Ilha Grande. Se eu puder, prefiro passar o apocalipse aí.

Aaron foi o primeiro homem gay da série. Você se lembra qual foi a sensação no início ao assumir esse papel? O que esperava da reação do público?

Ross Marquand – Eu me lembro de ter ficado muito feliz de entrar na série. E assim que comecei, o elenco e a produção me avisaram que eu poderia sofrer algumas críticas. Mas posso dizer que, na maior parte, o público abraçou o meu personagem e outros LGBTQ, como Jesus (Tom Payne), Tara (Alanna Masterson), Yumiko (Eleanor Matsuura) e Magna (Nadia Hilker), por exemplo. Acho que uma das forças da série é sua diversidade. Eu senti uma grande responsabilidade com esse papel, pois é um assunto delicado e The Walking Dead muitas vezes é assistido por famílias unidas. Uma vez, uma pessoa LGBTQ me falou que Aaron o ajudou a se assumir para os pais. E isso, para um ator, é a maior alegria, a noção de que você pode ajudar alguém a viver uma vida autêntica.

A série está chegando ao fim, como gostariam que fosse o desfecho de seus personagens?

Seth Gilliam – Eu espero que o padre Gabriel encontre uma paz interior e se estabeleça. Ele tem lutado contra a própria fé, que é fácil de entender, considerando o mundo em que ele sobrevive. Então espero que ele encontre essa paz interior. E depois espero que a série dê um salto no tempo e mostre ele morrendo, em paz, aos 95 anos.

Ross Marquand – Acho que uma realização para Aaron agora é a paternidade. Então que ele ajude a criar essa comunidade e um futuro em Alexandria para a Gracie. Ele tem preparado a filha para ser uma lutadora e uma boa pessoa, além de ser uma sobrevivente.

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