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Mais diversa e menos fútil? O que esperar do revival de ‘Sex and The City’

Sarah Jessica Parker e suas colegas de elenco confirmaram uma nova temporada da cultuada série no HBO Max, ainda sem data de estreia definida

Por Amanda Capuano 11 jan 2021, 18h01

Em 1994, quando Sex and The City estreou na HBO, o prazer feminino e a vida amorosa das mulheres solteiras ainda eram um tabu na televisão. No ar até 2004, a série quebrou barreiras ao colocar quatro mulheres no protagonismo e traçar uma trama já muito familiar a personagens masculinos: transas despretensiosas, aventuras amorosas passageiras e conversas abertamente sexuais entoadas por moças independentes e donas da própria vida. Na Nova York boêmia dos anos 90, Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), Samantha Jones (Kim Cattrall), Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) e Kristin Davis (Charlotte York) deleitaram-se na curtição sem pudores e arrebanharam uma legião de fãs admiradas com uma visão dramatúrgica até então inédita na TV, sobre mulheres e para mulheres.

Passados 27 anos, a trama que abriu portas jogando o conservadorismo para escanteio retornará para uma nova temporada, com gravações que devem começar entre abril e maio. Intitulado And Just Like That…, o revival estará disponível no HBO Max, serviço de streaming que comporta as produções da Warner Bros nos Estados Unidos (ainda não disponível no Brasil), e terá dez episódios de 30 minutos, sem data de estreia definida. A trama irá acompanhar Carrie, Miranda e Charlotte enquanto elas “navegam pela jornada da complicada realidade da vida e das amizades aos 30 anos para a ainda mais complicada realidade da vida e das amizades aos 50”, diz o anúncio da HBO. Das quatro protagonistas, apenas Kim Cattrall, a intérprete de Samantha, não reviverá o papel, e embora não haja justificativa oficial, a ausência provavelmente se deve a rixas de bastidores – em 2017, Sarah Jessica Parker declarou que o terceiro filme da franquia não sairia do papel porque Kim se recusava a voltar à produção. Parker teve apoio das outras atrizes na rede social e Kim ficou chateada por ser culpada por sua ambição de querer seguir outros projetos.

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Sem uma de suas colunas de sustentação, a produção deve usar da maturidade adquirida pelas protagonistas para adaptar-se aos novos tempos, já que a trama feminista inovadora para os anos 90 converteu-se em regra geral na televisão atual – em outras palavras, não há mais nada subversivo em mostrar mulheres de alto poder financeiro falando sobre sua lista de affairs e aventuras sexuais em 2021, ainda mais para uma geração que cresceu vendo isso inserido de maneira natural na grande maioria das produções. Nos últimos anos, aliás, a série sofreu críticas por parte do movimento feminista, justamente por pintar como “revolucionário” o mero fato de mostrar mulheres bem-sucedidas em conversas sobre sexo e homens. O ponto, aliás, já foi levantado na própria série, quando Miranda questiona as amigas na segunda temporada: “Por que quatro mulheres inteligentes não têm mais nada para falar além de namorados?”.

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Apesar disso, a produção não foi vítima (ainda) da dita cultura do cancelamento – em vez disso, os fãs assumiram o guilty pleasure e hoje utilizam a produção como mote de piadas nas redes. No Instagram, o perfil @everyoutfitonsatc, deu origem à hashtag #WokeCharlotte (acorda, Charlotte), em que os usuários compartilham frases agora tidas como “politicamente incorretas” ditas na série e brincam adicionando “correções” atualizadas.

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Questionada em 2019 sobre o que mudaria em Sex and The City se a produção fosse feita nos dias de hoje, Cynthia Nixon – que chegou a concorrer ao governo de Nova York em 2018 – comentou sobre a falta de diversidade do elenco e enfatizou que, embora considere a série feminista, ela também carece de pontos que não eram discutidos na época, e que aparecem em alta hoje em dia, como recortes de classe e etnia. “Era uma bolha de mulheres brancas e ricas lutando pelo empoderamento. Uma das coisas mais difíceis para mim é ver o o quanto era centrado no dinheiro e como Steve, meu marido, era o mais perto que tínhamos de um trabalhador, sabe? Mulheres trabalhadoras não importavam muito, certo?”, declarou em entrevista ao Indiewire. Mais detalhes sobre a trama seguem em segredo até o momento.

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