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‘Luca’ e a Itália: animadoras brasileiras revelam pesquisa para o filme

Sem caricaturas ou estereótipos, animação do Disney+ homenageia um italianismo saudoso para tempos de pandemia — e com um pezinho no Brasil

Por Tamara Nassif 25 jun 2021, 17h18

Santa Mozzarella!”, exclama com frequência Giulia, adorável coadjuvante da nova animação da Pixar Luca. Com seus cachos ruivos, bochechas salpicadas de sardas e mãos inquietas, a personagem é uma das mais vocais representantes da cultura italiana que embebe a trama em autenticidade e verossimilhança. É ela quem apresenta os meninos-peixes Luca e Alberto, por exemplo, ao maravilhoso mundo da macarronada ao molho pesto – ou, ainda, ao pesadelo que é ser um peixe fora d’água em Portoroso, cidade ficcional de tradição pesqueira e inspirada na bela costa de Cinque Terre.

Parte de um esforço da Disney em trazer mais diversidade a suas histórias, Luca é o mais novo representante da ficção animada que presta homenagem a um mundo não-anglófono. “Tivemos uma sessão com italianos que explicaram como fazer gestos e expressões de uma maneira mais natural e não-estereotipada”, explica a VEJA a animadora brasileira Nancy Kato, que participou da produção. Da gesticulação intensa das mãos – que vai muito além da junção dos dedos em uma coxinha – às complexas lendas de criaturas mitológicas do litoral do país, todos os mínimos detalhes da trama bebem da fonte da realidade, muito graças à especialidade da equipe de produção e do diretor Enrico Casarosa, natural de Gênova. Nancy destaca até o esforço em detalhar os cachinhos nos cabelos de Luca, carinhosamente chamados de “croissant” e inspirados nos do próprio Casarosa: “Todos os dias, nós, da equipe de simulação, observávamos como ele conversava e se mexia para copiarmos os movimentos do cabelo dele.”

Boa parte da naturalidade do filme advém das memórias do diretor. “Quanto mais detalhes eu conseguia trazer para a história, mais autêntica ela ficava”, disse Casarosa à imprensa. Na animação das multidões secundárias, a animadora Bruna Berford, outra brasileira que participou da produção, conta que, nas cenas em que os personagens da cidade comem macarrão, a inspiração para os detalhes veio até das refeições em família. “Tenho sangue italiano e essas grandes reuniões calorosas, também típicas da cultura brasileira, são muito habituais para mim”, conta em entrevista.

Os clichês são divertidos e inofensivos. A cidade da Riviera italiana, temível para os povos marinhos, gera mais curiosidade do que apreensão na dupla de protagonistas: é viva, colorida, com ruelas charmosas, partidas de futebol e delícias geladas, que descobrem depois terem o nome de “gelato”. É Alberto quem convence Luca (ou melhor, o arrasta) a desobedecer os pais e conhecer a aventura que é não ter mais caudas ou barbatanas, mas mãos e pés hábeis para pilotar uma tão sonhada motocicleta Vespa. Ter dinheiro para comprá-la é o que os motiva a participar de um triatlo italiano juvenil, em que se deve nadar, comer macarrão e pedalar em uma encosta íngreme. Isso significa fazer time com Giulia, humana que é tão peixe fora d’água quanto eles. O problema do mundo “seco” reside no hábito de cultuar lendas e estátuas de monstros marinhos sendo massacrados – o pai de Giulia não só não é exceção, como também tem a casa decorada com facões e lanças específicas para pesca.

Luca projeta o que já é DNA da Pixar: uma história universal, atemporal, que deleita adultos e crianças pelo encantamento. Em tempos de fronteiras fechadas, a solução para um turismo saudoso pela bela Itália está a um clique de distância: basta só dar play na animação, presente no Disney+. Confira o trailer abaixo:

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