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Em série, Demi Lovato revela abdução por ETs e os elogia: “Seres de luz”

Crente de que manteve contatos com alienígenas, artista busca outros entusiastas da vida extraterrestre em 'Unidentified With Demi Lovato'

Por Tamara Nassif Atualizado em 20 out 2021, 15h24 - Publicado em 20 out 2021, 15h14

Numa noite de outubro do ano passado, a estrela pop Demi Lovato jura ter passado por um processo de abdução alienígena – do qual garante não conservar memória alguma, apenas fortes convicções. E que convicções. A pulga atrás da orelha a levou a investigar o “grande desconhecido” ao lado do cético melhor amigo Matthew Scott Montgomery e da irmã Dallas Lovato – com os quais, a bordo de um trailer, roda pela Califórnia atrás de outros entusiastas do mundo extraterrestre. A aventura dá mote a Unidentified With Demi Lovato, série disponível no serviço de streaming americano Peacock.

Como tudo que envolve Objetos Voadores Não-Identificados, os famigerados óvnis, muito de Unidentified With Demi Lovato consiste em testar a máxima: é preciso ver para crer. E Demi, que pouco depois do suposto encontro com ETs passou a se identificar como pessoa não-binária, é testemunha de uma série de bizarrices já no primeiro episódio. Há, por exemplo, moças que sofreram abortos e sustentam que os fetos teriam se transformado em “crianças híbridas” após serem “roubados” por aliens (andaram vendo muito a série Sweet Tooth, pelo jeito…). Um grupo de apoio ajuda gente que se diz abduzida por alienígenas a assimilar a “experiência”, enquanto uma terapeuta que se denomina “especialista em seres de outros planetas” conduz sessões de hipnoterapia para reconstituir as supostas memórias apagadas pelos visitantes. Demi, crente de que deu uma voltinha pelo Universo, aceita ser paciente da psicóloga e cria a teoria de que os ETs, em vez de serem criaturas malignas, como pinta boa parte da ficção científica, querem nos ajudar a salvar o planeta Terra – ou, no caso específico da estrela pop, os carinhosamente apelidados “Médicos da Luz” a protegem de si própria.

Só no último ano, Demi sofreu três AVCs, uma parada cardíaca, falência de órgãos e abuso sexual do traficante que lhe vendia drogas. No passado, a “cantore” (no gênero não-binário, os pronomes femininos e masculinos são substituídos pelas letrinhas “E” ou “X”) já havia passado por clínicas de reabilitação. Enquanto ainda estava na pele de artista da Disney, sobreviveu a distúrbios alimentares graves e traumas sexuais, de estupro a relacionamentos abusivos. “Já vivi nove vidas”, disse certa vez. Pensar que há “Seres de Luz” siderais que olham por Demi, essa sobrevivente, é reconfortante.

Em outro episódio, Demi investiga uma casa com alegadas “atividades paranormais”, onde conversa com um rádio-sensor batizado de Carmen. A “entidade extraterrestre”, porém, se recusa a responder às perguntas de Demi por causa da presença de dois rapazes a seu lado. “Você tem trauma de homens?”, pergunta a estrela pop quando eles se afastam, ao que o rádio-sensor emite uma frequência que é interpretada como um “sim”. “Eu também tenho, então eu te entendo”, responde ela, e começa a cantar o hit Skyscraper para Carmen. O canto, ali, teria a função de limpar a barra dos rapazes e permitir que eles voltassem a frequentar o mesmo ambiente.

Na busca pelo incompreensível, Demi tenta achar respostas para os traumáticos eventos que lhe aconteceram ao longo dos anos. Mas é mais provável encontrar essas respostas em um consultório de terapia – a de verdade, não a de “regressão hipnoterapêutica” feita para reconstruir memórias apagadas por alienígenas – do que nos ETs. Se eles existirem, devem ter mais o que fazer.

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