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Tela Plana Por Blog Críticas e análises sobre o universo da televisão e das plataformas de streaming

10 personalidades essenciais dos 70 anos da TV no Brasil

De Assis Chateaubriand a Boni, passando por Chacrinha e Chico Anysio, relembre os profissionais da tela e dos bastidores que fizeram essa história

Por Felipe Branco Cruz - Atualizado em 17 set 2020, 17h01 - Publicado em 17 set 2020, 16h35

No dia 18 de setembro de 1950, a primeira estação de TV do Brasil, a TV Tupi, entrava no ar comandada pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand. A empreitada colocou o país entre os primeiros a ter uma emissora, atrás apenas dos Estados Unidos, Inglaterra e França.

De lá para cá, a televisão se tornou o ponto focal de quase todas as residências brasileiras, graças ao talento de seus artistas e à variedade de sua programação. A seguir, relembre dez personalidades que foram essenciais para transformar a TV brasileira no que ela é hoje:

Assis Chateaubriand

Poucas pessoas tiveram tanto poder e influenciaram tanta gente no Brasil quanto o pioneiro da TV no Brasil, Assis Chateaubriand, o Chatô. Antes de fundar a TV Tupi, Chatô já era um dos maiores empresários da comunicação no país, dono de centenas de jornais e emissoras de rádio. Com seus métodos para lá de controversos, ele se tornou uma figura folclórica no Brasil: ele chegou a ser acusado de chantagear empresários com reportagens mentirosas em seus veículos de comunicação, caso não anunciassem em seu novo canal. Chatô foi também membro da Academia Brasileira de Letras, senador e criador do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Homero Silva e Francisco Assis Chateaubriand, na cerimônia de estréia da primeira transmissão da televisão brasileira, pela TV Tupi
Homero Silva e Francisco Assis Chateaubriand (à dir.), na cerimônia de estreia da primeira transmissão da televisão brasileira, pela TV Tupi – Peter Scheier/Revista O Cruzeiro/VEJA

Roberto Marinho

Roberto Marinho tinha 60 anos quando fundou a TV Globo, em 1965, no Rio de Janeiro, transformando-a em questão de poucos anos na principal emissora do país e líder de audiência. Antes de colocar a rede de pé, Marinho já era um dos principais empresários de comunicação do Brasil, dono do jornal O Globo e da Rádio Globo. Na TV, ele incentivou seus diretores a buscar um elevado padrão de qualidade, investindo em jornalismo, novelas e programas de variedades. Hoje, além da TV aberta, a Globo é dona de diversos outros canais por assinatura, como Multishow, GNT, Globo News e SporTV – além da plataforma de streaming Globoplay.

Roberto Marinho, fundador das Organizações Globo, e a mulher Lily, em imagem do arquivo pessoal da família
Roberto Marinho, fundador das Organizações Globo, e a mulher Lily, em imagem do arquivo pessoal da família – Divulgação/VEJA

Silvio Santos

É impossível falar da TV no Brasil sem falar de Silvio Santos, o “Dono do Baú”. O empresário e apresentador mais conhecido do país começou a vida como camelô, animador de eventos, locutor e ainda passou pela grade da Globo antes de fundar a TVS (depois, SBT), em 1981. Mestre dos domingos e comunicador nato, Silvio é o apresentador que há mais tempo comanda seu show de auditório no país, o Programa Silvio Santos, no ar desde 1963, em que ele faz diversas brincadeiras com o público e distribui seus famosos aviõezinhos de dinheiro. Fora da TV, ele chegou a ser candidato à presidência da República, em 1989, mas teve a candidatura cassada.

O apresentador Silvio Santos – Divulgação/SBT

Hebe Camargo

Hebe costumava ser apontada como uma instituição da TV brasileira – e isso não é exagero. A apresentadora já era uma estrela do rádio quando a TV chegou ao Brasil e, no dia em que a TV Tupi iniciou suas atividades, lá estava Hebe nos estúdios, convidada por Assis Chateaubriand para participar da primeiríssima transmissão. Dona de um dos sofás mais disputados da TV, Hebe dava pitaco e opiniões sobre tudo, desde política até moda. Grandes artistas, atletas e políticos participaram do programa da artista, que distribuía selinhos entre eles, popularizando também bordões como “lindo de viver”, “que gracinha” e “fofura”.

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Hebe Camargo canta a música "Você Não Sabe" no show em homenagem aos 50 anos da carreira de Roberto Carlos
Hebe Camargo canta a música “Você Não Sabe” no show em homenagem aos 50 anos da carreira de Roberto Carlos – José Patrício/Estadão Conteúdo

Chacrinha

Houve uma época na TV brasileira em que o nonsense e o politicamente incorreto tinham espaço de realce, e o representante máximo do fenômeno era José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha. Com seu jeito bonachão e suas roupas espalhafatosas, Chacrinha sacramentou no imaginário popular do brasileiro o que era um programa de auditório de variedades, que misturava show de calouros, muita música e, claro, as famosas chacretes, dançarinas que animavam a plateia. No seu show de calouros, Chacrinha popularizou prêmios bizarros como o Troféu Abacaxi. Na música, ele revelou bandas essenciais dos anos 1980, como Titãs, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho. Também são inesquecíveis seus bordões, como “Teresinha”, “Eu vim para confundir, não para explicar” e “Que não se comunica, se trumbica”.

O 'Cassino do Chacrinha', em foto de 1988
O ‘Cassino do Chacrinha’, em foto de 1988 – Antonio Milena/VEJA

Boni

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, foi o mais importante executivo da Globo – e da TV nacional. Pai do Boninho, diretor do Big Brother Brasil, Boni ajudou a desenvolver o tão famoso “padrão Globo de qualidade”, aplicado às telenovelas e ao jornalismo da emissora. Boni, que era publicitário, juntou-se a Walter Clark para criar uma rigorosa grade de programação, definindo faixas de horários para determinados tipos de público, facilitando desta forma a captação de anúncios e direcionando-os ao público-alvo correto. A grade criada por ele se mantém até hoje no horário nobre, com duas novelas leves, o Jornal Nacional entre elas e, depois, a principal novela da noite. Boni apostou também em grandes nomes para a criação das novelas, como o diretor Daniel Filho e os autores Dias Gomes e Janete Clair.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, tem feito sessões de radioterapia
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni – Marcos Rosa/VEJA

Janete Clair

Antes de Janete Clair, as novelas brasileiras seguiam uma linha mais popularesca e cheia de dramalhões, semelhantes àquelas vistas até hoje nas tramas cubanas e mexicanas. Foi com o texto diferenciado de Janete Clair que as novelas brasileiras finalmente ganharam cara própria, com títulos como Irmãos Coragem, Selva de Pedra, Pecado Capital, O Astro, entre muitas outras, atingindo níveis altíssimos de audiência. Até hoje, ela foi a única autora a alcançar 100 pontos de audiência, quando, em 1972, todos os televisores ligados no Rio de Janeiro estavam sintonizados no capítulo 152 de Selva de Pedra, para acompanhar Simone (Regina Duarte) sendo desmascarada no uso da falsa identidade de Rosana.

Diretora Janete Clair
A escritora e noveleira Janete Clair José Antonio/Divulgação

Dias Gomes

Cria do teatro, o baiano Alfredo de Freitas Dias Gomes provou que novelas poderiam ir além da diversão passageira, transformando-se em obras-primas ao retratar todas as idiossincrasias da brasilidade. Não à toa, em 1991, Dias Gomes foi eleito para a prestigiosa Academia Brasileira de Letras. São dele novelas inesquecíveis como O Bem-Amado, a primeira a cores da TV brasileira, Roque Santeiro, Saramandaia, Mandala e O Fim do Mundo. No teatro, Dias Gomes escreveu o clássico O Pagador de Promessas, que em 1962 foi adaptado para os cinemas por Anselmo Duarte, e até hoje é o único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro em Cannes, na França. Dias Gomes foi casado com Janete Clair até a morte dela, em 1983.

O dramaturgo Dias Gomes – TV Globo/Divulgação

Gilberto Braga

Um dos autores de novelas mais celebrados do Brasil, Gilberto Braga ficou conhecido por criar as vilãs mais memoráveis da TV brasileira em folhetins que se desenrolavam sob a dúvida: “Quem matou fulano?”. A mais famosa delas, é claro, foi a vilã Odete Roitman, na novela Vale Tudo, cujo último capítulo registrou também uma das maiores audiências da TV, com 86% dos aparelhos ligados. São dele ainda novelas como Escrava Isaura, Rainha da Sucata, Anos Rebeldes, Celebridade, Paraíso Tropical e Insensato Coração

O dramaturgo Gilberto Braga
O dramaturgo Gilberto Braga – Divulgação/VEJA

Chico Anysio

Cearense de Maranguape, como gostava de dizer, Chico Anysio foi um dos maiores humoristas do Brasil. Craque no humor do rádio, quando a televisão surgiu, ele conseguiu transpor para as telas centenas de seus personagens, como Bento Carneiro, Bozó, Painho, Coalhada, Popó, Alberto Roberto e, claro, o mais famoso deles, o Professor Raimundo. A Escolinha do Professor Raimundo, aliás, transformou-se num grande celeiro de novos talentos do humor, descobertos pelo próprio Anysio. O humorista foi casado seis vezes e é pai de outros grandes humoristas, como Bruno Mazzeo, Nizo Neto e Lug de Paula.

O humorista Chico Anysio, da TV Globo
O humorista Chico Anysio, da TV Globo – Divulgação/VEJA
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