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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Um ramalho de muricy

Da série “Curiosidades etimológicas absolutamente inúteis” (prossiga por sua conta e risco): Muricy, o que não foi, treinador da seleção no futuro do pretérito, junta em seu nome dois substantivos comuns do vocabulário vegetal com raízes fundas na história do Brasil. O tupi mori’si, que deu em português na grafia murici, depois de passar por […]

Por Sérgio Rodrigues Atualizado em 31 jul 2020, 14h44 - Publicado em 24 jul 2010, 13h39

Da série “Curiosidades etimológicas absolutamente inúteis” (prossiga por sua conta e risco):

Muricy, o que não foi, treinador da seleção no futuro do pretérito, junta em seu nome dois substantivos comuns do vocabulário vegetal com raízes fundas na história do Brasil. O tupi mori’si, que deu em português na grafia murici, depois de passar por muricy e muruxi, designa tanto uma planta do gênero Byrsonima, da família das malpiguiáceas, quanto seus pequenos frutos – “umas frutas amarelas, mais pequenas que cerejas, que nascem em pinhas como elas, com os pés compridos; a qual fruta é mole e come-se toda; cheira e sabe a queijo do Alentejo que requeima”, como escreveu em 1587 o português Gabriel Soares de Sousa no clássico “Notícia do Brasil”.

Quanto ao ramalho, este é termo vernacular desde o século 17, “ramo cortado de árvore, grande e seco” (Houaiss). O resultado de seu encontro com murici bem poderia ser resumido numa rima: e daí?

Melhor lembrar Euclides da Cunha, citando um “dito popular do norte” em “Os sertões”:

É tempo de murici
Cada um cuide de si…

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