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Rolezinho: até a palavra divide opiniões

Rolezinho no Mauá Plaza Shopping, em São Paulo (Renato Mendes/Futura Press)

Rolezinho no Mauá Plaza Shopping, em São Paulo (Renato Mendes/Futura Press)

Perto da controvérsia antropológica, política, social e policial que a onda dos rolezinhos tem despertado, esta é certamente menor, mas não desprezível: que palavra é essa e, sobretudo, como pronunciá-la?

A origem imediata do rolezinho é óbvia: a gíria brasileira rolé (ou rolê), já velha de algumas décadas, usada quase exclusivamente na locução “dar um rolé (ou rolê)” e que significa “pequeno passeio, volta”. Embora rolé tenha a maioria das preferências, dicionários respeitáveis ainda não se puseram de acordo sobre a grafia da palavra, o que é esperado no caso de uma criação popular relativamente recente.

O Houaiss, o Aurélio e o Aulete registram apenas rolé, forma mais usada no Rio de Janeiro. O Michaelis e o Francisco Borba trazem somente rolê, variação dominante em São Paulo. Note-se que essa flutuação regional de pronúncia espelha a da própria vogal e quando tomada isoladamente.

De uma forma ou de outra, que a origem da palavra deve ser buscada no francês roulé, “enrolado, dobrado, voltado sobre si mesmo”, parece pacífico. É a mesma fonte de rolê em sua acepção de bife de panela enrolado e ainda na de certo movimento de capoeira.

Não é outra também a origem da gola rolê ou rulê – grafia sobre a qual os lexicógrafos voltam a discordar, embora tendam a preferir a última.

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  1. Comentado por:

    leonardo Guedes

    Midia lixo! Num pais em que todos se entitulam, especialistas politicos, consultores de moda, salvadores espirituais, psicologos, não é de se espantar que, em meio a rolezinho e movimentos sociais, muitos sem principio, meio e fim, algumas midias super valorizem a ostentação. Hoje, aqui no center norte, tivemos um pseudo movimento, que atraiu algumas midias e estas por sua vez, fizeram um grande carnaval, faltando só a bateria da vai-vai. Fotografaram tenis Mizuno, oculos da Okley (será que escrevi certo?), camisas polo da Mr. KITSCH e bonés da John John e, depois de tantas entrevistas sem respostas, decidi perfuntar a uma moderninha que estava c um microfone na mão se não seria do interesse dela entrevistar trabalhador.E, como ja estava de saco cheio desta lenga-lenga, rasguei o verbo e deixe de ostentar minha educação e disse:”Enquanto vocês entrevistam desordeiros e popularizam suas ações como se fossem deuses e unanimidades, nós trabalhadores, assistimos a esta baderna generalizada. Para mim, midia é noticiar boas praticas e bons exemplos, venha, entre no shopping e entreviste um trabalhador. E, ao se dar midia a esta ostentação é o mesmo que criar seus viloes no futuro. Pode ser que amanha, você seja vitima de quem hoje vc entrevistou e que fortaleceu ainda mais seu caracter duvidoso, pois se o crime não compensa, pelo menos, dá midia.”Deixei ela falando sozinha e neste momento ja pude ver o sorriso estampado nos rostos dos 10 ou 12 segurancas que estavam a zelar pelo shopping.

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  2. Comentado por:

    George Rocha

    ‘É um grupo de jovens que sente raiva e impotência, e tenta obter um senso de poder’, disse à CNN o psicólogo Jeff Gardere.
    Esta força de expressão jamais foi problema e existe há décadas. Se quiser ver centenas de videos com o assunto basta pesquisar FLASH MOB (mobilização rápida de amigos) onde uma cena antológica está no filme “Friends With Benefits” com Justin Timberlake e Mila Kunis. O problema foi apelidar de “ROLEZINHO” o movimento aqui no Brasil. O nome escolhido vinculou-se facilmente a “gangs” e o princípio das gangs é a desobediência civil. Isto fez os administradores de Shoppings no Brasil criar o preconceito contra as ‘flashes mobs’. A energia delas é estritamente positiva e prazerosa e retira todos da mesmice.

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  3. Comentado por:

    Nevair Gallani

    O autor nao foi feliz na definicao de ‘rouler’! Num dicionario, uma palavra tem varios sentidos, e este sentido pego no artigo nao corresponde à situaçao. O autor do artigo equivocou-se. ‘Rouler’ tem sentido de andar, fazer andar, dar volta, avançar, rodar. Um ‘roulé’ é ‘uma volta’, ‘andar’, ‘movimentar’, ‘funcionar’, dar uma volta (no shopping). Seria como se um frances definisse, a partir do portugues ‘dar uma volta no Shopping’, como um bife enrolado, um rocambole. Nada a ver. ‘Dar uma volta’ nao tem o sentido de literalmente andar em volta do shopping, ou pegar o shopping com a mao e dar um noh no mesmo….! tem o sentido de ‘passear’!…

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  4. Comentado por:

    sergiorodrigues

    Nevair, optei por apresentar o sentido primário de ‘roulé’, o de algo que se volta sobre si, que gira sobre o próprio eixo ou descreve um movimento circular. É o único que dá conta de todas as palavras que o português tirou dali (culinária, capoeira, moda, perambulação etc.). Sim, o verbo ‘rouler’ se expandiu mais tarde para indicar uma série de movimentos e deslocamentos, sobre rodas ou não, e no fim do século XIX passou a ser empregado no sentido de passear. No entanto, qual era a necessidade de expor todo esse percurso semântico se a mesmíssima coisa ocorreu com o português “dar um volta”, como você reconhece, ou “dar um giro”? Em inglês, ‘to roll’ e ‘to go around’ contribuem para a conclusão de que a associação entre o giro e o passeio é, se não universal, bastante difundida. Ou seja, o que foi exposto é mais do que suficiente para a compreensão do nosso rolé. Um abraço.

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  5. Comentado por:

    Manuelzão

    Temos lidos nos últimos dias muitas opiniões de jornalistas muitos chegados às ideias comunistas defendendo com veemência esse movimento criados artitificialmente por algum partido aliado do governo do PT. No Brasil nunca houve essa divisão da população em classes sociais. Os participantes do rolezinhos que tratem de estudar muito e trabalhar se quiserem ser alguem na vida e não ficar perdendo tempo criando baderna em locais inapropriados, está certo que um centro de compras é um lugar público mas não apropriado para manisfestações sociais, para isso existem as ruas e urnas eleitorais. Aproveitem as próximas eleições para para escolher dirigentes que prestem para o país.

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  6. Comentado por:

    Marta Gomes

    Seria bem mais interessante se todos eles organizassem uns rolezinhos nas muitas bibliotecas espalhadas pelo Brasil afora. Bons leitores, não são ociosos e tem outra visão de mundo.

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  7. Comentado por:

    Ivan de Brito – Poeta

    Estes problemas vão acontecer sempre, porque no serumano ha mudancas o rejime da nação tem nome que é justiça, o rejime dos parlamentres não é o mesmo da nossa nação, a nação deles é de uma cualidade pecima, os manifestantes tem uma qualidade mas não tem objetivo o que adcontese nos “Shopping” saquiaments, e manifestção de novos bandidos
    se não corta o mau pelas rais depois vai ser dificil conter.

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  8. Comentado por:

    Vítor Hugo Jerônimo Mota

    Cara Marta Gomes,
    Seu comentário impróprio deixa transparecer o seu preconceito para com o evento organizado, ou mesmo para com os participantes (muitos dos quais fanáticos ou amplamente influenciados pela cultura de massa, incluindo o funk, rap ou hip hop).Além disso, a senhora mostra a sua face ao supor que muitos/a maioria dos jovens que ali estão não possuem o mínimo de cultura, ou pelo menos aquela que verdadeiramente é tida como cultura de alto valor – que fornece a seu compactuador o senso crítico que o encaminhará a uma vida recheada de boas qualificações ou pensamentos mais concretos. Nesse caso, não seria a senhora uma das mais de 15 mil pessoas a participar de tal encontro em todo o país? Pois certamente, assim como eles, a senhora, vítima do seu próprio engano/equívoco, deveria deixar de opinar sobre aquilo que não é da sua competência e fazer como propôs: Ignorar essa pouca bobagem e procurar se informar mais sobre a modificação da estrutura sócio-cultural brasileira, pautada muito mais na integração entre diferente formas de expressão cultural, mesmo sendo elas repudiadas por vossa mercê, como o funk assim o é para mim, e talvez de fato possa comprovar essa grandiosa “visão de mundo” que alega ter (afinal, acreditar que integrar um movimento que, mesmo apresentando formas de vandalismo entre seus organizadores, ultrapassa/quebra o limite imaginário entre a elite comportada e a periferia empobrecida da contemporaneidade com certeza representa o quão ociosa é massa que hoje representa um poder de consumo maior que a somatória de todas as demais classes sociais do Brasil no ano de 2013, minha cara.
    Se porventura a senhora não sabia que tão poucas palavras poderiam agredir aqueles que mesmo leigos são capazes de diferenciar uma ironia suja e fácil de uma crítica de engrandecimento, examine a senhora mais fontes de pesquisa, e saberá muito mais sobre a geopolítica do Brasil e do mundo, ou mesmo que “a luta entre as classes sociais é motor que move e transforma a história”, Karl Marx.
    P.S. Eis aqui a expressão de um garoto de 16 anos sem qualquer envolvimento esquerdista, ou mesmo político, com quaisquer partidos. Mas que com tão pouca idade sabe que somente se colhe aquilo que se planta. Acaso a senhora plantou a discórdia entre os comentários aqui postados, discórdia será o que se colherá.

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