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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Polêmica dos royalties traz a marca da realeza

A chamada “lei dos royalties” – o projeto do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), aprovado esta semana na Câmara dos Deputados, que prevê a redistribuição dos direitos de exploração do petróleo com perdas severas para os estados produtores – agitou a semana e promete continuar exaltando ânimos no futuro próximo. Pelo menos até que a […]

Por Sérgio Rodrigues Atualizado em 31 jul 2020, 07h27 - Publicado em 10 nov 2012, 13h33

A chamada “lei dos royalties” – o projeto do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), aprovado esta semana na Câmara dos Deputados, que prevê a redistribuição dos direitos de exploração do petróleo com perdas severas para os estados produtores – agitou a semana e promete continuar exaltando ânimos no futuro próximo. Pelo menos até que a presidente Dilma Rousseff se decida pela sanção ou pelo veto.

Royalty (forma singular de royalties) é um vocábulo que importamos do inglês e nunca aportuguesamos. A rigor, deveríamos grafá-lo sempre em itálico, como gramáticos e dicionaristas recomendam fazer com palavras e expressões em idioma estrangeiro. No entanto, eis uma norma que a realidade e o bom senso tornam obsoletos em grande parte dos casos.

Ainda bem. Seria até ridículo insistir no destaque gráfico de termos de ampla circulação como show, site e marketing – e a palavra royalties, embora seja uma figurinha menos fácil do que essas, está no mesmo caso. O fato de, por razões variadas, esses estrangeirismos não serem habitualmente aportuguesados – ao contrário por exemplo de shampoo, que virou xampu – não basta para evitar que o itálico pareça preciosista.

Quando a palavra surgiu, importada do francês antigo, o sentido de royalty em inglês (com grifo porque estamos falando do vocábulo original) era apenas realeza, ou seja, nomeava a posição, o poder, a condição do soberano. Demorou um século para que ganhasse, numa expansão semântica explicada pela metonímia, o sentido de “concessão (pelo rei) de uma prerrogativa ou direito a um indivíduo ou uma corporação”.

Daí surgiram outras acepções. Uma muito próxima da que empregamos hoje no caso do petróleo teve seu uso em inglês registrado pela primeira vez em 1839: “pagamento ao proprietário de terras pelo uso de uma mina”. Outra aplicação habitual do termo, em que royalties é um sinônimo de “direitos autorais”, data de 1857: “pagamento a um escritor, compositor etc. pela venda ou uso de sua obra”.

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