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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Latino? Que latino?

Xenofobia linguística é o fim. Servilismo linguístico também. Entre esses dois abismos a língua se equilibra precariamente, como demonstra o adjetivo “latino”. Em português, como se sabe, trata-se de uma palavra que se aplica a algo ou alguém que tenha relação com qualquer uma das culturas herdeiras do latim. A nossa, por exemplo. Até aí, […]

Por Sérgio Rodrigues Atualizado em 31 jul 2020, 11h50 - Publicado em 29 Maio 2011, 10h00

Xenofobia linguística é o fim. Servilismo linguístico também. Entre esses dois abismos a língua se equilibra precariamente, como demonstra o adjetivo “latino”. Em português, como se sabe, trata-se de uma palavra que se aplica a algo ou alguém que tenha relação com qualquer uma das culturas herdeiras do latim. A nossa, por exemplo. Até aí, tudo ótimo.

Ocorre que, no inglês americano, a palavra adquiriu sentido bem mais restrito: quer dizer latino-americano ou, mais especificamente, hispano-americano. Escreve-se com inicial maiúscula e, naturalmente, sem flexão de gênero, que o idioma dos gringos desconhece. Jennifer Lopez é uma Latino actress, por exemplo. Até aí, problema deles, ou seja, tudo ótimo também.

O chato é que o sentido americano da palavra vem contaminando a língua falada aqui, num caso de estrangeirismo semântico. Quando lê ou ouve que Obama tem o apoio do eleitorado latino, por exemplo, um falante de português está autorizado a incluir nesse grupo os descendentes de italianos de Nova York, para não mencionar franceses, romenos, galegos etc. Mas não, nada disso: o eleitorado em questão é o de origem latino-americana.

Xenofobia linguística é o fim, convém repetir. Mas não é menos grave perguntar a estranhos o sentido de uma palavra que nos expressa.

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