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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Está errado chamar o jantar de janta?

Por Sérgio Rodrigues Atualizado em 31 jul 2020, 02h23 - Publicado em 4 jan 2015, 10h00

“Prezado professor, sempre que ouço alguém dizer que vai ‘preparar a janta’, me corre um frio pela espinha. Está errado ou o uso popular tornou essa forma aceitável? Obrigado.” (Armando N. C. Filho)

Janta é, como se sabe, um sinônimo de jantar, palavra da qual nasceu por derivação regressiva – o mesmo processo pelo qual, do verbo fabricar, se fez o substantivo fábrica.

Seu uso não está “errado” pelo menos desde 1881, quando estreou em dicionário na primeira edição do Caldas Aulete.

O verbo jantar, vindo do latim jentare (“almoçar”) no início do século XII, vinha sendo empregado também como substantivo desde algum momento do século seguinte. Janta surgiria bem depois.

O “frio na espinha” sentido por Armando diante da palavra está provavelmente ligado a uma questão de adequação vocabular. Janta é um termo de uso coloquial, popular, familiar, que também pode ser visto como chucro e pouco sofisticado, conforme o contexto. Jantar é sua versão mais elegante e culta.

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Empregado na situação errada, o vocábulo janta tem sem dúvida a capacidade de arquear sobrancelhas. Há ocasiões, porém, em que não só cai bem como pode até ser recomendável.

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Publicado em 24/2/2010.

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