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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

‘Ao vivo’ veio do inglês ‘live’?

Por Sérgio Rodrigues - Atualizado em 16 fev 2017, 12h46 - Publicado em 14 nov 2013, 10h35

“Prezado Sérgio Rodrigues, é correta a expressão ‘ao vivo’, comum nos telejornais? É tradução literal de ‘alive’?” (Argemiro Nascimento Filho)

Sim, a expressão “ao vivo” é perfeitamente correta, para usar o adjetivo escolhido por Argemiro, mas não, não nasceu de uma tradução literal do inglês alive (“vivo”).

Se fosse essa a sua origem, o original seria o inglês live, uma forma reduzida de alive que ganhou nos anos 1930 – segundo a datação do dicionário de Douglas Harper – a seguinte acepção no mundo das artes e espetáculos: “que é encenado na hora por artistas de carne e osso, diante do público, em oposição a algo pré-gravado por qualquer meio”.

Como se vê, live – como “ao vivo” – não se restringe ao vocabulário do rádio e da televisão. Neste, quer dizer aquilo que é transmitido no momento mesmo em que ocorre. Mas também pode significar justamente o que dispensa qualquer mediação tecnológica para chegar ao espectador: no dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, uma de suas acepções é “directamente, em presença do público, e não por meios radiofônicos, televisivos…”.

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Não consegui encontrar em nenhum dicionário de português uma data de nascimento sequer aproximada para “ao vivo”. Haverá na locução televisiva – que em francês tem tradução bem diferente, en direct – alguma influência do inglês live, como suspeita Argemiro?

Não creio que se possa descartar inteiramente a possibilidade, mas acho improvável. É imemorial o uso do adjetivo “vivo” para conjurar ideias semelhantes: o latim clássico tinha a expressão viva vox (“viva voz”) para se referir a um discurso ouvido diretamente da boca do orador, em vez de lido ou comunicado por terceiros.

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