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A diferença entre a escatologia e a escatologia

“Prezado professor, parece que a palavra ‘escatológico’ tem significados completamente diferentes, até opostos. Um referindo-se a assuntos referentes à divindade e o outro a fezes. É isto mesmo?” (Narciso Lopes)

Narciso tem razão: existem duas escatologias em português. Não se trata de duas acepções para o mesmo substantivo, mas de palavras distintas que, embora tenham formação e sentidos muito diferentes – ainda que não opostos, como afirma Narciso –, são escritas exatamente da mesma forma.

O adjetivo “escatológico” pode ser derivado do substantivo “escatologia” que significa “teoria acerca das coisas que hão de suceder depois do fim do mundo; teoria sobre o fim do mundo e da humanidade”.

Mas há também o adjetivo “escatológico” – este de uso mais frequente – que se refere à escatologia como “tratado acerca dos excrementos, coprologia” ou, em acepção ampliada, “utilização ou gosto por expressões ou assuntos relacionados a fezes ou obscenidades”. (Todas as definições são do dicionário português Priberam.)

O que uma coisa tem a ver com a outra? Nada. O escatológico que trata das implicações teológicas do fim do mundo – sobretudo o Juízo Final – é uma palavra cunhada no século XIX a partir do grego éskhatos, que significa “extremo, último”.

O escatológico que se relaciona a fezes também é um termo criado no século XIX a partir do grego, mas neste caso a palavra de origem é diferente: skatós, “excremento”.

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  1. Comentado por:

    Kylderi

    Vejo que há uma ideia de final, fim nas duas acepções. Fim dos tempos e fim da digestão.

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  2. Comentado por:

    Curioso

    As duas acepções estão relacionadas em ÚLTIMA instância. “Extremo”, “último” e “excremento”, porquanto, como diz a Rita Lee, “tudo acaba em bosta”. Hehe. É o fim do processo…digestivo e outros.

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  3. Comentado por:

    Curioso

    Ops!! Em ÚLTIMA análise (não instância).

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  4. Comentado por:

    Curioso

    Agora, algo que me intriga na semântica é um vocábulo adquirir o significado contrário ao original. “Relevar”, por exemplo, tem os sentidos de dar relevo (salientar, destacar, etc)e não dar importância (deixar pra lá, esquecer). “Patético”, que originalmente tinha a acepção de comovente, tocante, passou a também significar grotesco, ridículo. Outra é “abstrair”, que, no sentido filosófico original, quer dizer isolar uma característica de algo no plano abstrato para melhor analisá-la, e passou a ser utilizada como sinônimo de “desprezar”, ou seja, o seu oposto.

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  5. Comentado por:

    Curioso

    Tenho palpites explicativos para as inversões de significado dos termos “patético” e “abstrair” (“abstraindo”, etc.). No primeiro caso, é bem possível, creio, que se tenha devido ao uso do vocábulo no sentido irônico, em relação a algo que não tinha nada de efetivamente “patético” no sentido primitivo da palavra. E os ignorantes acabaram interpretando a ironia como se fora sentido literal.
    Quanto a “abstrair”, é possível que a inversão de sentido se deva a confusão de regência verbal. Em vez de dizerem “apreciar tal coisa abstraindo-a das demais”, disseram “apreciar tal coisa abstraindo as demais”.
    Outro verbo que está sento desvirtuado no seu sentido é “expurgar”. Expurgar significa o mesmo que depurar, limpar. Porém, cada vez mais tem sido empregado como se fosse sinônimo de “expulsar”. Em vez de “expurgar do” (o correto), tem-se falado em “expurgar o”.

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  6. Comentado por:

    Curioso

    “Em vez de “expurgar do” (o correto), tem-se falado em “expurgar o”.”
    Não considerar o reiterado acima. Não me expressei bem.
    Quis dizer: em vez de “expurgar o parlamento dos maus políticos” (o correto), dizer-se “expurgar os maus políticos do parlamento”.

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