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Política com Ciência Por Sérgio Praça A partir do que há de mais novo na Ciência Política, este blog do professor e pesquisador da FGV-RJ analisa as principais notícias da política brasileira. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Preso ou solto, Lula faz mal para o PT

A organização partidária petista perde ao ficar presa a um indivíduo

Por Sérgio Praça - 19 dez 2018, 21h19

É muito improvável que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja solto nos próximos dias. Após condenação em segunda instância, Lula foi preso e agora poderia se livrar – ao menos por algumas semanas – por conta de uma decisão individual do juiz Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. (Mas José Dias Toffoli suspendeu-a há poucos minutos.) O PT comemorou a atitude de Mello. Nem poderia ser diferente após tanta campanha pela soltura do ex-presidente, reforçada nos últimos tempos com a indicação do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL).

Paradoxalmente, Lula livre seria péssimo para o partido. As próximas eleições nacionais serão em quatro anos. Nesse interregno, Lula seria marginalmente útil como líder popular. Não empolga as massas como antes, embora ainda seja popular. Ocuparia um espaço que poderia ser de Fernando Haddad (PT) – que tem problemas e fez uma campanha política mentirosa, mas ao menos é um novo líder.

Em excelente artigo publicado este ano pela World Politics, Fernando Bizzarro e co-autores argumentam que partidos fortes têm uma organização nacional estabelecida na qual influência é distribuída de acordo com as posições na organização, e não de modo individual. Ou seja: para influenciar o partido, é necessário ser dirigente. Nesse sentido, o PT enfraqueceu muito com Gleisi Hoffmann na presidência do partido, Lula como líder inconteste e Haddad como nova figura sem posição formal na organização.

Os autores também argumentam que em um partido forte, os incentivos e interesses de líderes estão alinhados com os objetivos do partido como organização. Para que isso ocorra, o processo de seleção de líderes partidários deve favorecer pessoas que mostram forte compromisso com o partido.

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Então é preciso ser muito ingênuo para achar que a adoração por Lula ajuda o PT. Ele mostrou forte compromisso com o partido até ter problemas com a Justiça. A partir de então, usou a cegueira dos militantes para tentar manter a reputação de honesto. Convenceu muitos, mas isso teve um custo alto para sua organização partidária.

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