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Política com Ciência Por Sérgio Praça A partir do que há de mais novo na Ciência Política, este blog do professor e pesquisador da FGV-RJ analisa as principais notícias da política brasileira. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O que explica o prêmio para Geraldo Alckmin?

Uma democracia precisa, de acordo com sua definição mais básica, de eleições livres, com competição entre partidos, e mecanismos de controle mútuo entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Isso garantiria que os governantes eleitos (e reeleitos) tivessem seu desempenho minimamente avaliado pela população. O estado de São Paulo, que recentemente reelegeu, com folga, o governador […]

Por Sérgio Praça Atualizado em 31 jul 2020, 00h26 - Publicado em 24 set 2015, 10h40

Uma democracia precisa, de acordo com sua definição mais básica, de eleições livres, com competição entre partidos, e mecanismos de controle mútuo entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Isso garantiria que os governantes eleitos (e reeleitos) tivessem seu desempenho minimamente avaliado pela população.

O estado de São Paulo, que recentemente reelegeu, com folga, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), tem todos esses quesitos. Mas Alckmin insiste em agir como se não desse a mínima pelo que seus eleitores – e outros cidadãos – pensam.

O exemplo mais recente é sua declaração de que um prêmio por “excelência em gestão hídrica”, a ser dado em outubro pela Câmara dos Deputados (por iniciativa do deputado tucano João Paulo Papa, ex-prefeito de Santos), é “modéstia à parte, merecido”. A Sabesp, empresa estatal responsável pelo abastecimento de água em São Paulo, foi negligente e nada republicana ao não fornecer informações claras aos cidadãos sobre quando e onde faltaria água.

Notem que não é nem preciso afirmar que a falta de água foi culpa do governador. Tendo a situação se concretizado, seu governo foi, no mínimo, oportunista e pouco transparente sobre o gravíssimo quadro.

O que explica esse comportamento de Alckmin é a Constituição Federal de 1988. Ao deixar poucas políticas públicas para implementação exclusiva dos governos estaduais, os constituintes criaram governadores ao mesmo tempo poderosos (o orçamento de alguns estados é enorme) e invisíveis (porque é difícil atribuir a eles a responsabilidade por muitas políticas públicas).

Nas áreas de competência exclusiva de seu governo, como a manutenção de recursos hídricos, a segurança pública e as universidades estaduais, o histórico de Alckmin é deplorável. Os policiais militares continuam matando suspeitos em vez de levá-los às delegacias, embora os homicídios estejam no menor nível desde 2001 (considerando que registra-se como “um” homicídio mesmo que duas ou mais pessoas tenham sido mortas no ato); a falta de água acometeu 71% dos paulistanos sem que o governo fosse minimamente transparente sobre o caos; a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (a USP Leste) ficou meses parada por negligência em relação ao solo contaminado onde foi construída.

Alckmin não faz o básico. Ignorar isso nas eleições é ruim, mas premiá-lo em 13 de outubro é um tapa na cara que indigna qualquer cidadão que sofreu com a falta de água. E ainda ouvir que “modéstia à parte, o prêmio por excelência em gestão hídrica é merecido”… bom, fico sem palavras.

E olhem que nem citei o escândalo dos contratos do metrô. Isso fica para um próximo post.

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