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Política com Ciência Por Sérgio Praça A partir do que há de mais novo na Ciência Política, este blog do professor e pesquisador da FGV-RJ analisa as principais notícias da política brasileira. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

José Carlos Bumlai, um quase-assessor presidencial

Frei Betto, ex-assessor de Lula na presidência em 2003 e 2004, tem um bom motivo para que o ex-presidente não seja mais seu amigo. Foi Betto quem pegou o cartão de Joaquim Barbosa e o recomendou para o Supremo Tribunal Federal, no início do governo Lula. Todos os envolvidos devem ter se arrependido dessa. Agora […]

Por Sérgio Praça - Atualizado em 31 jul 2020, 00h02 - Publicado em 24 nov 2015, 15h10

Frei Betto, ex-assessor de Lula na presidência em 2003 e 2004, tem um bom motivo para que o ex-presidente não seja mais seu amigo. Foi Betto quem pegou o cartão de Joaquim Barbosa e o recomendou para o Supremo Tribunal Federal, no início do governo Lula. Todos os envolvidos devem ter se arrependido dessa.

Agora Betto tem outra contribuição a dar. Está em seu interessante livro “Calendário do Poder” , no qual relata o dia-a-dia do Palácio do Planalto como um dos responsáveis pela implementação do Fome Zero (aquela política social que foi atropelada, com justiça, pelo Bolsa Família).

Betto conta que, às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais em 2002, apareceu para visitar Lula com José Alberto de Camargo, então presidente da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (p. 30). No dia seguinte, após votarem, almoçaram com o pecuarista José Carlos Bumlai, preso hoje pela Polícia Federal (p. 33). Lula não estava neste almoço.

Quando recebeu o MST pela primeira vez em seu mandato, em julho de 2003, Lula “encarregou José Carlos Bumlai de montar equipe para estudar como dotar os assentamentos dos sem-terra de novas tecnologias” (p. 141). O empresário também foi lembrado, segundo Betto, para substituir Oded Grajew, outro assessor do presidente. Escreveu Betto: “Para o lugar de Oded, sugeri o pecuarista José Carlos Bumlai. É homem de empresa, amigo meu e de Lula. O presidente considera um bom nome, mas receia que não aceite, devido a seus negócios” (p. 229). Em novembro de 2003, Bumlai informou não topar (p. 247).

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Em meados de 2004, o clima no governo Lula não era muito bom, mesmo antes do mensalão. Betto teve a iniciativa de convocar amigos do então presidente para conversar francamente com ele, sem aquela coisa de chamar de “presidente”. Estavam presentes ele, Lula, José Alberto de Camargo, Paulo Vanucchi (que foi secretário especial de Direitos Humanos no governo Lula), Oded Grajew e…José Carlos Bumlai (p. 398).

Quão próximos eram Lula e Bumlai? Cada um pode tirar suas próprias conclusões a partir dos relatos de Frei Betto.

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