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Rio Grande do Sul Por Veja correspondentes Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens gaúchos. Por Paula Sperb, de Porto Alegre

RS tem mais de 500 mortes em acidentes de trabalho em 2016

Maioria das mortes ocorreu na área rural do Rio Grande do Sul, segundo procurador do Ministério Público do Trabalho

Por Paula Sperb Atualizado em 30 out 2017, 21h35 - Publicado em 30 out 2017, 18h18

Rio Grande do Sul registrou mais de 500 mortes por acidente de trabalho em 2016, segundo o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT-RS), Rogério Fleischmann. A maior parte dos casos ocorreu na área rural, de acordo com o procurador. “São mortes provocadas desde capotagem de tratores até mesmo por queda de árvores em cima de trabalhadores“, falou Fleischmann.

À VEJA, o procurador explicou que o MPT usa dados também de boletins de ocorrência registrados na polícia e do sistema de saúde para que se possa ter uma dimensão mais exata, incluindo os trabalhadores sem carteira assinada, por exemplo. “Os trabalhadores que morreram no trabalho e não têm carteira assinada não trabalhavam necessariamente de forma ilegal. Há casos de empresários que morreram no trabalho e empreiteiros individuais”, explicou à reportagem.

A informação de mais de 500 mortes em acidente de trabalho em 2016 foi antecipada pelo procurador durante a abertura da 24ª Jornada Gaúcha de Medicina do Trabalho e do I Fórum de Saúde e Segurança Ocupacional da Sociedade Gaúcha de Medicina do Trabalho (Sogamt), na última sexta-feira. Os dados completos sobre acidentes e mortes no trabalho no estado devem ser publicados em 2018 pelo MPT-RS. “A ideia é fazer um trabalho de prevenção”, explicou Fleischmann.

Segundo dados apurados por VEJA a partir do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, em 2015 foram registrados 142 acidentes de trabalho com morte no Rio Grande do Sul, 155 em 2014, 138 em 2013, e 155 em 2012. Esses dados, porém, contabilizam apenas trabalhadores com carteira assinada.

  • Dos acidentes de trabalho sem morte de 2016, a maioria resultou em corte, laceração ou ferida (23%). Na sequência aparecem contusão e esmagamento (18%) e fraturas (15%). As amputações representaram 1% dos acidentes no ano passado, com 383 casos.

    De 2012 a 2016, o Rio Grande do Sul já registrou 127.947 auxílios-doença por acidente de trabalho com um impacto de mais de 1 bilhão de reais e perda de 23.173.428 dias de trabalho.

    Também segundo o MPT-RS, o Rio Grande do Sul registrou o menor número de trabalhadores resgatados de situação análoga ao trabalho escravo nos últimos dez anos. A queda é reflexo da redução da verba pública federal para a fiscalização. Até agosto de 2017, apenas dois trabalhadores foram resgatados no estado contra 17 resgatados em 2016, uma queda de 88%. No Brasil, até agosto, foram 73 resgatados contra 885 no ano anterior, uma queda de 81,8%. O corte de verba para fiscalização aconteceu antes mesmo da portaria que flexibiliza o conceito de trabalho escravo.

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