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Rio Grande do Sul Por Veja correspondentes Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens gaúchos. Por Paula Sperb, de Porto Alegre

Onyx declarou R$ 80 mil em campanha com contador que emitiu notas em série

Valor gasto é superior ao declarado por outros parlamentares gaúchos eleitos pelo mesmo tipo de serviço

Por Paula Sperb - Atualizado em 9 jan 2019, 18h15 - Publicado em 9 jan 2019, 16h54

O ministro Onyx Lorenzoni (DEM), chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, declarou 80 mil reais em serviços contábeis na última eleição, quando foi candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul. O valor foi pago em sete notas fiscais emitidas por Cesar Marques, filiado ao DEM gaúcho, e chega a ser 26 vezes maior do que o gasto de outros deputados do estado com esse tipo de serviço.

Os gastos com Marques representam a quarta maior despesa de Onyx na disputa eleitoral. Outros deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Sul gastaram muito menos. Para fins de comparação, Alceu Moreira (MDB) declarou 8.700 reais pela contabilidade, cerca de dez vezes menos, e Giovani Cherini (PP) declarou 3 mil reais pelo mesmo trabalho, 26 vezes menos.

Apenas durante a campanha, entre agosto e outubro, o valor gasto com a empresa chegou a 25% do que o parlamentar pagou a uma outra empresa de Marques, a Office RS Consultoria, durante dez anos por serviços de assessoria técnica ao seu gabinete. No período, o deputado recebeu o reembolso de 317 mil reais a partir de notas fornecidas pela companhia de Marques – algumas delas, em sequência. Onyx usou a verba de gabinete, o chamado cotão, que custeia despesas do mandato mediante apresentação dos recibos.

Onyx declarou à Justiça Eleitoral uma receita de 1.663.630 reais em sua campanha. A maior parte, 1 milhão de reais, veio da direção do DEM, que tem acesso aos fundos eleitoral e partidário. As demais maiores doações foram de 300 mil reais do empresário Carlos Jereissati, 200 mil de Rubens Ometto Mello e 100 mil reais de José Salim Mattar Júnior.

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Na eleição anterior, de 2014, quando Onyx também foi eleito, ele pagou a Cesar Marques 35 mil reais pela assessoria contábil, menos da metade do valor de 2018. Procurado por meio de sua assessoria, o ministro não comentou os gastos de campanha e reiterou a regularidade dos gastos de seu gabinete – leia abaixo a nota. Cesar Marques não foi localizado.

Onyx foi acusado por delatores de ter recebido 100 mil reais em caixa dois da JBS em 2012. Ele já havia admitido ter recebido caixa dois em 2014. O ministro da Justiça, Sergio Moro, chegou a dizer que Lorenzoni já havia “pedido desculpas” e disse ter “confiança pessoal” no político.

Nota do ministro Onyx Lorenzoni:

Com relação à reportagem veiculada hoje em Zero Hora, esclareço que:
O título da reportagem é calunioso, levando a interpretação equivocada dos fatos. Não há nada de irregular. A empresa sempre prestou os serviços e recebeu por eles, na forma da lei.
Trata-se de Consultoria tributária – não apenas para projetos meus e sim aconselhamento para todos os projetos em destaque nesta questão. Além do contato telefônico sempre que necessário, são realizadas reuniões semanais em Porto Alegre. A empresa faz o acompanhamento da execução do orçamento geral da união para fins de emendas parlamentares indicadas por mim para centenas de municípios e entidades assistenciais gaúchas.
Com relação aos recursos da campanha eleitoral, cabe esclarecer que a empresa prestou serviços para o partido e todos os candidatos. Desde a pré-campanha, incluindo treinamento jurídico e contábil.
Todas as contas foram aprovadas sem apontamentos. Há um rígido acompanhamento sobre todas as questões.
Vou à justiça buscar a reparação.
ONYX LORENZONI

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