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Rio Grande do Sul Por Veja correspondentes Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens gaúchos. Por Paula Sperb, de Porto Alegre

Doria no RS: ‘Vim com meu avião. Não precisei de bilhete aéreo’

Prefeito de São Paulo, investigado pelo Ministério Público por viagens durante expediente, esteve em Porto Alegre para falar a empresários

Por Paula Sperb - Atualizado em 18 set 2017, 18h14 - Publicado em 18 set 2017, 15h36

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que ele mesmo paga por todas as suas viagens, nacionais e internacionais. Doria é investigado pelo Ministério Público de São Paulo sobre suas viagens em horário de trabalho. A declaração foi dada em coletiva de imprensa em Porto Alegre, após palestra no Fórum de Gestão do Rio Grande do Sul, promovido pelo Lide RS, na Associação Leopoldina Juvenil.

“Todas as viagens, nacionais e internacionais, eu mesmo financio. Vim com o meu avião. Não precisei comprar bilhete aéreo. Eu, felizmente, tenho essa possibilidade, e exerço isso. Minhas viagens e inclusive os assessores que aqui vieram, vieram no meu avião. Tanto não devo que nenhum valor sequer foi retirado dos cofres públicos da cidade. Viagens internacionais também. Compro os bilhetes, pago no cartão de crédito, pago em cinco parcelas e viajo com meu dinheiro”, disse aos jornalistas.

O prefeito chegou a gravar um vídeo em frente ao seu avião antes de embarcar a Porto Alegre. “Viajo com meu dinheiro, com meu avião”, diz na gravação divulgada no seu Facebook.

Na semana passada, uma foto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na fila de espera para embarque no aeroporto de Congonhas, tirada por um assessor de Doria, foi publicada na página de Alckmin. Correligionários do governador entenderam a fotografia como uma provocação da equipe de Doria, que viaja com o avião próprio, raramente em voos comerciais. Doria e Alckmin disputam a pré-candidatura à Presidência pelo PSDB.

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Sobre a investigação da promotoria, Doria alega que suas viagens são parte de sua “política pública”. “Quem provocou isso foi o PT, vamos deixar bem claro, foi o Partido dos Trabalhadores (autor da denúncia). Não foi Iniciativa do Ministério Público (MP). Respeito muito o Ministério Público e a nossa resposta será entregue hoje. Não preciso de 20 dias (prazo legal) para provar o óbvio, para provar que estou fazendo política pública. Não há nenhum problema em viajar pelo Brasil, até porque viajo com o meu dinheiro, com o meu avião, uso o meu automóvel, os meus recursos. Ao contrário do PT, que adora um dinheirinho público para viajar, contratar automóvel, viajar, (comprar) sítio, triplex, contas no exterior. Eu sou diferente. Por isso que eles não gostam de mim e eu não gosto do PT”, disse o prefeito paulistano à imprensa.

Segundo o projeto independente “Onde está João Doria“, que fiscaliza a administração do prefeito, a viagem a Porto Alegre representa o 49º dia de Doria fora de São Paulo, o que significa 18,7% do seu mandato até o momento.

“Estou fazendo política pública. Não há nenhum problema em estar aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, dialogando com o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB), intercambiando programas de saúde, educação, zeladoria urbana. Qual é o mal? Pensar bem pela sua cidade? São Paulo é uma cidade global, não é provinciana, pequena. Quando vou ao exterior, vou em busca de investimentos. Vamos continuar a fazer exatamente o que estamos fazendo”, concluiu.

Quando esteve em Porto Alegre no mês passado, Alckmin questionou o significado do rótulo de “novo” na política. “Um dia desses, me perguntaram: ‘o Brasil precisa do novo?’ Quem é o novo? O novo é a idade? Quem tem setenta ou quem tem trinta [anos]? O novo é quem nunca foi candidato? Ou quem tem vários mandatos?”

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